Bandeiras rubras
na tarde amarela,
não me descubras
tardes mais belas.
É dança e vigor
no estádio repleto.
O estádio é uma flor
de ferro e concreto.
O gol se cultua
com fome, com sede.
Nas nuvens a lua
é bola nas redes.
Bandeiras rubras
na noite estrelada.
Em ondas avança
a maré colorada.
Nem tarde de touros
ou penca de pingos
levantam o couro
dos rubros domingos.
Retumbam clamores
em todos os caminhos,
cintilam as cores
do sangue e do vinho.
No rumo das traves
do ataque se espera
leveza de ave
e garra de fera.
O ataque explode
a defesa parede.
O gol sacode
o hímen das redes.
Humanas grinaldas
do povo em ciranda.
No chão esmeralda,
o ataque comanda.
Bandeiras rubras
na noite estrelada.
Em ondas avança
a maré colorada!
