O verão
começa tarde
e termina cedo.
O verão é um brinquedo,
água que escorre
entre os dedos,
criança que foge
do enlace das mãos.
Verão, sal e maresia.
Verão que recusa
a reclusa tristeza,
intrusa melancolia.
O verão brinca
nas curvas
e desaba nas chuvas.
O surfista decola
na pista das ondas.
Nas areias se estendem
sereias esguias
e madonas redondas.
Verão sedução
de corpos dourados
aflorando entre espumas.
Cabelos de algas,
seios de dunas.
Qual monge budista
orando, lá longe,
a vista alcança
o sol posto
deitando o rosto
no travesseiro
das nuvens.
De repente, em escolta,
as gaivotas
estão de volta.
Dança no ar
uma folha, mais outra
em levitação.
É o outono que chega,
pois já vai terminando
o verão.
Retirem-se as esteiras,
guarda-sóis e cadeiras.
Na partitura das agendas,
é preciso que aprendas
entoar sua canção.
