Se ela disser
eu te amo, vou rasgar
os panos da tristeza,
me fantasiar de pierrô
no reboliço de uma passeata.
Adeus terno e gravata!
No meio da rua,
na hora mais nua,
tocarei pandeiros
com a mais desvairada alegria.
Plantarei bananeiras
no parlamento,
e entrarei de skate
em solenes tribunais.
Que se danem as liturgias!
Beijarei a boca da rua,
ela dirá: Hoje sou tua,
doida, solta, anjo, vadia.
Se ela disser eu te amo,
serei um escafandro
em tardes de maré cheia,
jogarei rosas vermelhas
às tresloucadas sereias.
E serei um aqualouco,
embora vozes prudentes
me alertem que, há bom tempo,
a piscina está vazia.
Se ela disser eu te amo!
