Luiz Coronel

Setembro Farroupilha

Poeta Luiz Coronel inicia as homenagens com a data máxima do RS com versos do livro “A Revolução Farroupilha”, que tem desenhos do artista Danúbio Gonçalves

Livro "A Revolução Farroupilha" com textos de Luiz Coronel e ilustrações de Danúbio Gonçalves
Livro "A Revolução Farroupilha" com textos de Luiz Coronel e ilustrações de Danúbio Gonçalves Foto : Reprodução / CP

Entre ruína e exaltação,

perante a morte e abismo,

todo povo tem no pranto

sua certidão de batismo.

Daquelas lutas sangrentas

e seus invioláveis arquivos,

brota um sentir coletivo

que não se apaga, está vivo.

Viaja um mundo de emoções

em nossa mala de garupa.

Euforia que se reparte

ruidosa, farta, sem culpa.

Se foi estrada de mágoas

ou foi roteiro de assombros,

seguimos levando a bandeira

entre alamedas e escombros.

Tatuamos as nossas vidas

com incandescentes navalhas.

Essa Guerra é cicatriz.

É cicatriz e medalha.

Uns recebem monumentos,

outros, tão só cova rasa.

Para contemplar os guerreiros,

o mate e a carne nas brasas.

Os que querem pôr algemas

nos heróis daqueles tempos

não sabem que suas almas

galopam livres no vento.

É uma história de combates,

de um decênio de extensão.

História que, embora vasta,

cabe na palma da mão.