Entre ruína e exaltação,
perante a morte e abismo,
todo povo tem no pranto
sua certidão de batismo.
Daquelas lutas sangrentas
e seus invioláveis arquivos,
brota um sentir coletivo
que não se apaga, está vivo.
Viaja um mundo de emoções
em nossa mala de garupa.
Euforia que se reparte
ruidosa, farta, sem culpa.
Se foi estrada de mágoas
ou foi roteiro de assombros,
seguimos levando a bandeira
entre alamedas e escombros.
Tatuamos as nossas vidas
com incandescentes navalhas.
Essa Guerra é cicatriz.
É cicatriz e medalha.
Uns recebem monumentos,
outros, tão só cova rasa.
Para contemplar os guerreiros,
o mate e a carne nas brasas.
Os que querem pôr algemas
nos heróis daqueles tempos
não sabem que suas almas
galopam livres no vento.
É uma história de combates,
de um decênio de extensão.
História que, embora vasta,
cabe na palma da mão.
