Verde é a verdade.
Urge sacralizar a terra,
ó tempos profanos!
Malsinados sejam
os que empalham araras,
cassam a carteira de voo
das borboletas
e impõem a lei do silêncio
sobre bem-te-vis.
Vede: com que sede
as raízes lambem os lábios da terra,
sugando o sumo das laranjeiras.
Vede: os ramos da roseira
são elevadores por onde sobem
aromas e cores que explodem
no corpo das rosas.
Com um punhado de terra nas mãos,
a natureza opera seus prodígios.
Saltam samambaias dos túmulos,
nascem petúnias
entre as ossadas dos javalis.
Que multidões nas praças
julguem os que afogam os peixes,
defloram as margaridas
e ensinam impropérios
aos morangos.
O sol negará sua luz,
e a lua, seu lenço
aos que unham,
mordem e sangram
o fértil seio da terra.
