Luiz Coronel

Tributo a Mario Quintana

Poeta Luiz Coronel presta sua homenagem aos 30 anos da morte de Mario Quintana

Mario Quintana, Luiz Coronel e Lya Luft em uma sessão de autógrafos na Capital
Mario Quintana, Luiz Coronel e Lya Luft em uma sessão de autógrafos na Capital Foto : Arquivo Pessoal / Luiz Coronel / CP

Tenho, em minha biblioteca, uma carta emoldurada do poeta, que, em agradecimento à remessa do poema “Matilha de Rancores”, termina assinando: “Conheces os mistérios da vida e, principalmente, os mistérios do amor.”

(Abertura do livro “Homo Zapiens”)

Que pode o poeta aprendiz ao mestre devotar

senão seu gesto grato e seu teimoso experimento?

Com Mario aprendi que o humor é alívio e lucidez

e que a memória é um caleidoscópio de encanto e desalento.

Entre telhados e nuvens dançam anjos e dançam tias.

E quem compassa os andamentos da noite são os grilos.

Ninguém aprenderá a confidência secreta das palavras

se não souber perambular pelas ruas de insólitos trilhos.

O Quintana ensina que a poesia é ofício da solidão.

E que é preciso captar a graça fugidia dos instantes.

Cada momento voa qual um pássaro. Mas o tempo é visível ao olhar que paciente desvenda o seu enigmático semblante.

Num palco de infantes e bailarinas move-se o poeta

alheio ao cotidiano de tão frágeis desencantos.

Quintana é um mágico perversamente inocente tirando máscaras e guizos lá do fundo de seu baú de espantos.