Tenho, em minha biblioteca, uma carta emoldurada do poeta, que, em agradecimento à remessa do poema “Matilha de Rancores”, termina assinando: “Conheces os mistérios da vida e, principalmente, os mistérios do amor.”
(Abertura do livro “Homo Zapiens”)
Que pode o poeta aprendiz ao mestre devotar
senão seu gesto grato e seu teimoso experimento?
Com Mario aprendi que o humor é alívio e lucidez
e que a memória é um caleidoscópio de encanto e desalento.
Entre telhados e nuvens dançam anjos e dançam tias.
E quem compassa os andamentos da noite são os grilos.
Ninguém aprenderá a confidência secreta das palavras
se não souber perambular pelas ruas de insólitos trilhos.
O Quintana ensina que a poesia é ofício da solidão.
E que é preciso captar a graça fugidia dos instantes.
Cada momento voa qual um pássaro. Mas o tempo é visível ao olhar que paciente desvenda o seu enigmático semblante.
Num palco de infantes e bailarinas move-se o poeta
alheio ao cotidiano de tão frágeis desencantos.
Quintana é um mágico perversamente inocente tirando máscaras e guizos lá do fundo de seu baú de espantos.
