Luiz Coronel

Um cego no comício

Afinal, que faço eu

num esfuziante comício?

Uma avalanche de promessas

desabando desde o início.

Há uma penca de partidos,

formaria um consórcio.

Uns, eivados de ideias,

outros, balcões de negócios.

Um ensurdecedor foguetório

quer o povo conclamar.

Estampidos e esperanças

desfazem-se logo no ar.

Mais cego do que os cegos

são os que veem sem enxergar.

A nação é uma espada

que nunca pode vergar.

No palanque, o “centrão”

evitando ser exposto,

veste paletó e gravata,

ninguém decifra o seu rosto.

Ricocheteando minha bengala

quando a noite se derrama.

Mesmo na noite mais fria

mantém-se acessa uma chama.