Afinal, que faço eu
num esfuziante comício?
Uma avalanche de promessas
desabando desde o início.
Há uma penca de partidos,
formaria um consórcio.
Uns, eivados de ideias,
outros, balcões de negócios.
Um ensurdecedor foguetório
quer o povo conclamar.
Estampidos e esperanças
desfazem-se logo no ar.
Mais cego do que os cegos
são os que veem sem enxergar.
A nação é uma espada
que nunca pode vergar.
No palanque, o “centrão”
evitando ser exposto,
veste paletó e gravata,
ninguém decifra o seu rosto.
Ricocheteando minha bengala
quando a noite se derrama.
Mesmo na noite mais fria
mantém-se acessa uma chama.
