Luiz Coronel

Um farol na neblina

Farol do Abardão em Santa Vitória do Palmar, que ilustra o poema "Um Farol na Neblina", do poeta Luiz Coronel, no Caderno de Sábado
Farol do Abardão em Santa Vitória do Palmar, que ilustra o poema "Um Farol na Neblina", do poeta Luiz Coronel, no Caderno de Sábado Foto : CP Memória

É preciso amar

a quem se amou

em tempos idos.

Já não há arrepios

ou sobressaltos.

O tempo desfez,

uma após outra,

todas as mazelas.

A quem um dia se fez

morada de teu corpo,

calor em tua cama,

que se estenda uma

leve colcha de cumplicidade.

É amando a quem se amou

outrora que nos tornamos

dignos de uma nova aurora.

Sem confidências,

intimidades, vedadas portas,

cicatrizadas culpas,

estaremos nítidos

e redimidos.

Que a chama extinta

deixe em nós

sua luz fugidia.

Um farol na neblina

há de nos conduzir

pelas mansas águas

de indeléveis lembranças.