É preciso amar
a quem se amou
em tempos idos.
Já não há arrepios
ou sobressaltos.
O tempo desfez,
uma após outra,
todas as mazelas.
A quem um dia se fez
morada de teu corpo,
calor em tua cama,
que se estenda uma
leve colcha de cumplicidade.
É amando a quem se amou
outrora que nos tornamos
dignos de uma nova aurora.
Sem confidências,
intimidades, vedadas portas,
cicatrizadas culpas,
estaremos nítidos
e redimidos.
Que a chama extinta
deixe em nós
sua luz fugidia.
Um farol na neblina
há de nos conduzir
pelas mansas águas
de indeléveis lembranças.
