Quando ela chega à praia,
na manhã azul de janeiro,
as ondas jogam carreira
pra ver quem lhe beija primeiro.
Navega em ondas de luz,
desmaia o sol em seu corpo.
Suplico às nuvens e ao vento
que faça de mim o seu porto.
Quando se entrega ao mar,
deixa no sol certa mágoa.
Sua melhor intimidade
é um convívio só das águas.
Ah, se um dia ela se desse
pra mim com tanta alegria
com que entrega o seu corpo
às ondas do mar, tão frias!
Sua inimizade com as nuvens
é ciúmes de passarela.
Hoje o sol já não a envolve.
Ele é das nuvens, só delas.
Toda vestida de rendas,
ela corre pelas praias,
e as sereias invejosas
rogam pragas que ela caia.
