Luiz Gonzaga Lopes

Festival de Cinema de Buenos Aires reuniu mais de 40 mil

A quarta edição do FIC.UBA foi realizada de 30 de setembro a 7 de outubro na capital argentina, com cinco mostras competitivas e todas as sessões gratuitas

A 4ª edição do Festival Internacional de Cinema da Universidad de Buenos Aires encerrou no dia 7 de outubro com a premiação em cinco mostras competitivas
A 4ª edição do Festival Internacional de Cinema da Universidad de Buenos Aires encerrou no dia 7 de outubro com a premiação em cinco mostras competitivas Foto : Luiz Gonzaga Lopes / Especial / CP

Na primeira semana de outubro, a cidade de Buenos Aires foi palco de uma grande movimentação do mundo audiovisual. O 4° Festival Internacional de Cinema da Universidade de Buenos Aires (FIC.UBA) foi realizado de 30 de setembro a 7 de outubro em vários locais da capital argentina, reunindo mais de 40 mil pessoas ao longo de sua programação totalmente gratuita e tendo cinco competições oficiais, que tiveram sua premiação no dia 7 de outubro, à noite, no auditório da Facultad de Arquitectura, Diseño e Urbanismo (Fadu-UBA). Entre os destaques da edição, esteve a abertura no Cine Cosmos com “La libertad doble”, de Lisandro Alonso. O cineasta participou de seminário com estudantes e o público na Fadu no dia 1º/10. A UBA concedeu a Lita Stantic e Félix “Chango” Monti o título de Doutor *Honoris Causa*, em reconhecimento às suas contribuições ao cinema e à cultura argentina. A programação teve retrospectiva do francês Léos Carax, com títulos como “Os Amantes da Pont-Neuf”, sessões dedicadas ao japonês Yasujiro Ozu e homenagem ao jovem diretor Lucas Vignale, morto neste ano.

Participei do festival na condição de jurado da Mostra de Curtas-Metragens Ibero-Americanos e destaco a qualidade da organização e o envolvimento dos estudantes da área no evento. E o que mais se via e ouvia por lá era a defesa da universidade pública em função de cortes que o governo Milei fez no orçamento destinado ao ensino público universitário em todo o país. Mais detalhes no Instagram @fic.uba.

Uma imersão pelo mundo de Mafalda

A mostra Mafalda Inmersiva foi aberta no Centro Cultural Recoleta em Buenos Aires no dia 1º de outubro e segue até fim de novembro, na capital argentina. A experiência de entretenimento a todas as idades possibilita que, por uma hora, o visitante percorra os 1.300 m² divididos em 13 salas projetadas para despertar os sentidos dos fãs da personagem do cartunista Quino, com cenografias e esculturas volumétricas, projeções em 360° com som envolvente, realidade virtual multiusuário, telas sensíveis ao toque interativas e música original composta para a experiência. A mostra proporciona uma caminhada pelo quarto de Mafalda, pela mercearia do Manolo e percorre a cidade da menina que questiona os adultos e a política argentina. A sala 14 abriga a experiência de realidade virtual “Sonhando com Mafalda”, com 10 minutos e a possibilidade de estar no quarto dela e em uma assembleia da ONU. Mais pelo site da mostra: mafaldainmersiva.com.

A mostra Mafalda Inmersiva foi aberta no Centro Cultural Recoleta em Buenos Aires no dia 1º de outubro e segue até fim de novembro, na capital argentina. | Foto: Luiz Gonzaga Lopes / Especial / CP

Dolores Fonzi, cineasta que se impõe em âmbito ainda masculino

A atriz e cineasta argentina Dolores Fonzi, que teve sucesso com “Belén”, filme que dirigiu e que ganhou o Goya, e com a série recente da Netflix, “Meus Mortos Tristes”, participou do Festival da UBA com seminário para estudantes no auditório da Fadu. Entre tantos assuntos, tratou de firmar a posição como uma mulher por trás das câmeras. “Eu não sei que cineasta seria se não fosse mulher neste contexto, nesta indústria machista. Se dão o filme a homens, dizem que é cinema de autor. Minha ideia é que todo mundo tenha consciência de que sou mulher neste âmbito. Quando filmei ‘Blondi’ não foi tão incômodo. Quando fiz ‘Belén’, aí meti o dedo na cara, é um caso real de um aborto espontâneo que é tratado como crime. Sinto que me impus ao fazer este esforço para que o filme chegasse ao público. Só que ainda os que mandam no cinema, os diretores de festivais, continuam sendo os dinossauros homens”, finalizou a atriz e cineasta de 48 anos, que atuou em filmes como “Nove Rainhas”, “El Aura”, “Truman” e “La Cordillera”.

Atriz Dolores Fonzi participou do 4º Festival Internacional de Cinema da Universidad de Buenos Aires em um seminário com estudantes na Fadu-UBA | Foto: Luiz Gonzaga Lopes / Especial / CP