No calor triste da morte de Luis Fernando Verissimo, no sábado, 30 de agosto, lembrei que todos que conheço possuem uma ou várias crônicas do autor que marcaram suas vidas. Eu tenho duas. A primeira, “Futebol de Rua”, eu li por 1979 na edição de “O Rei do Rock” e falava das regras do futebol de rua, a pelada. Quando ele tratava da bola, eu me identifiquei na hora por jogar futebol com qualquer objeto esférico: “No desespero, usa-se qualquer coisa que role, como uma pedra, uma lata vazia ou a merendeira do seu irmão menor”. A segunda crônica, “Emergência”, tratava da primeira viagem de avião, com o desespero de alguém nas instruções em caso de queda da aeronave. “Senhores passageiros, sua atenção, por favor. A seguir, nosso pessoal de bordo fará uma demonstração de rotina do sistema de segurança deste aparelho. Há saídas de emergência na frente, nos dois lados e atrás. − Emergência? Que emergência? Quando eu comprei a passagem, ninguém falou nada em emergência. Olha, o meu é sem emergência”. Mimetizei a crônica com uma aeromoça do meu primeiro voo pela Varig, em 1988, a Salvador. Ela ficou preocupada e eu falei que era uma brincadeira a partir da crônica do LFV. Pesquisando em edições antigas da Folha da Manhã, achei outras pérolas do cronista, que escreveu no periódico de 1º de maio de 1970 a 24 de outubro de 1975. Verissimo permanece eterno e jamais haverá um cronista como ele, com aquele texto de humor cotidiano tão genial e irônico.
Jamais haverá outro cronista como Luis Fernando Verissimo
Colunista Luiz Gonzaga Lopes lembra de crônicas do autor morto no dia 30 de agosto para falar da sua unicidade entre os cronistas brasileiros
