Neste momento, está sendo realizada uma reunião do presidente da Fundação Ospa, Gilberto Schwartsmann, com músicos e colaboradores da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre, para anunciar algumas mudanças na estrutura administrativa da Orquestra. A maior novidade será o anúncio do nome do maestro Manfredo Schmiedt como diretor artístico da Ospa. Ele assume o lugar deixado por Evandro Matté, que está de saída para seguir projetos fora da Ospa, ele é o atual diretor artístico da Orquestra do Theatro São Pedro.
Conforme Schwartsmann, a ideia inicial é que o diretor artístico da Ospa fosse administrativo e que o regente titular fosse outra pessoa, trabalhando com dois nomes, o primeiro seria o de Arthur Nestrovski que esteve à frente da Osesp, de 2010 a 2022, e que Manfredo Schmiedt poderia assumir a titularidade da regência. “Tenho estudado o funcionamento das orquestras pelo mundo e a maioria das orquestras de maior relevância tem funções separadas, uma é o diretor artístico geral dos projetos, captção de recursos e das relações internas e externas e existe o regente principal que cuida da questão musical propriamente dita. Queremos expandir o conceito aqui dentro e queremos desenvolver este modelo, mas ainda não será desta vez”, frisa o presidente Schwartsmann.
Na visão de Schwartsmann, o maestro Manfredo tem um conhecimento vasto da Ospa pelo tempo de casa, um currículo impecável, e reúne todas as condições para assumir o cargo, mesmo ainda sem a mudança do modelo. “A nossa ideia é ter um projeto de planejamento estratégico, um programa de relacionamento da orquestra fora do Estado, por exemplo, existe um grande projeto em nível de governo federal de gravações de concerto de grandes compositores brasileiros, como Villa-Lobos, Guerra Peixe e o nosso gaúcho Radamés Gnatalli. Gostaria de ver a nossa orquestra um pouco além das nossas fronteiras”, destaca.
Arthur Nestrovski não teve como aceitar o convite no momento e Manfredo irá assumir a direção artística acumulando também as funções de regente principal. “Estamos anunciando também algumas mudanças internas na orquestra, que não são tão relevantes para divulgarmos", pontua Schwartsmann.
Manfredo Schmiedt entrou na Ospa em 1992 e está, portanto, há 32 anos na instituição. Até então estava à frente do Coro Sinfônico da Ospa, formação que ajudou a desenvolver dentro da estrutura da orquestra. Referência para gerações de músicos no Rio Grande do Sul, o maestro conta com vasta experiência coral e orquestral por todo o mundo. Já se apresentou-se, como convidado, em destacadas orquestras do mundo, como a Filarmônica de Mendoza (Argentina), a Orquestra Sinfônica da University of British Columbia (Canadá), a Orquestra Sinfônica da Rádio e Televisão (Sérvia) e a Filarmônica de Belgrado (Sérvia).
Quando completou 30 anos de Ospa, em 2022, destacou em entrevista sobre um concerto comemorativo: “Esse concerto é extremamente especial para mim, primeiro porque serão os 30 anos da minha carreira dentro Ospa, instituição que me acolheu em 1992 e na qual tive prazer de trabalhar com excelentes músicos e, principalmente, com os cantores do coro, todos voluntários e que dedicam o seu tempo para fazer música junto com a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre”. Sob a sua batuta, o Coro já participou de montagens gigantescas com mais de 300 artistas no palco, como foi o caso de "Carmina Burana", de Karl Orff, e da “Nona Sinfonia”, de Beethoven.
Graduado em regência pela Ufrgs, Manfredo obteve o título de mestre em regência pela Universidade da Geórgia (EUA), onde atuou como regente assistente de 1996 a 1998. Manfredo foi diretor artístico da UCS Orquestra até 2020, quando ela foi extinta, mas retornou em 2021.
Em 2023, Manfredo Schmiedt concedeu entrevista a este colunista junto com o músico, produtor e arranjador Pedrinho Figueiredo.
