Pessoas, lugares e ações encantadoras

Pessoas, lugares e ações encantadoras

Coluna de Luiz Gonzaga Lopes trata do encantador Otelio Drebes, do charmoso Nuh Asian Food, da lista de compositores Donne e do Inclusão em Cena, além de um poema de Paulo Roberto Moraes, o Baiano

Otelio Drebes é o idealizador do Festival Encantar e de projetos como Fala Professor e Camisa 10

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UM SER A ENCANTAR

Até os seis anos de idade, o filho de agricultores que vivia na pequena Linha Delfina, no município de Estrela, não sabia falar uma palavra em português. O imponente alemão era a língua. Oitenta anos depois, Otelio Drebes, fundador das lojas Lebes, leva as suas palavras motivacionais e suas ideias altruístas a milhares de pessoas. Aos 86 anos de idade, Otelio acorda, medita, corre, sorri para o espelho e está sempre disposto a fazer daquele dia o mais singular possível. Ele é a mente e a alma por trás do Festival Encantar, que está marcando a volta dos shows presenciais ao Auditório Araújo Vianna, neste domingo, às 17h.  Foram mais de 1,3 mil concorrentes e 2 milhões de votos no site www.oteliodrebes.com.br, que recebe votos para os seis semifinalistas, três da categoria adulto, três da Kids, mas isto está nas matérias que publicamos durante a semana. O que não está nas matérias é o motor de alteridade, do pensar no outro e fazer de cada vida algo único que o idealizador de projetos como o Fala Professor e o Camisa 10. Uma pessoa que olha no olho e faz acontecer, simplesmente porque o mundo precisa. Tem também a foto da sorte que aparece em suas palestras. Foram centenas de milhares de pessoas tocadas direta ou indiretamente (presencial ou virtualmente) por Otelio por todas as partes do RS e do país, em um período de quatro anos. As palestras dele, todas com cunho solidário, já salvaram vidas, mudaram o destino de pessoas. De Otelio, são máximas como “Podemos escolher o que semear, mas somos obrigados a colher o que plantamos” e “Gostar de gente é o caminho mais seguro para ser feliz”. Vida longa ao Otelio! 

 

Jardins suspensos por sabores da Ásia 

A comida asiática, com gastronomias de 12 países (Cambodja, China, Coreia, Filipinas, Hong Kong, Índia, Indonésia, Japão, Laos, Malásia, Taiwan e Vietnã), o “street & travel food” que define a expertise dos seus idealizadores. Este é o NUH Asian Food, projeto que ganhou sabor em um jardim particular – um oásis na dureza do asfalto da Avenida Cristóvão Colombo –,  que é laboratório e fonte de inspiração onde se combinam conhecimento, técnica e experiência, tudo conectado à natureza e sua renovação contínua. O nome de batismo do NUH nasceu da sonoridade da palavra vietnamita que define uma garota doce e divertida, que ilumina as coisas ao redor. Outra faceta do Nuh tem o olhar do restaurateur Edu Sehn, de 57 anos, e o mais experiente do grupo: “Assim como o KYU, restaurante conceito que conheci em Miami e gostei, as três letras de ‘Nhu’ acabaram trocadas e formaram Nuh, que tem apelo sonoro de algo livre, puro, despido, desarmado, entregue, transparente, honesto, exposto, natural". O Nuh está aberto desde o início de novembro, com quatro mesas, mediante reserva, para o Garden Experience. O projeto semanal Cooking Class & Eat permite desfrutar da cozinha na parte interna, pilotando fogão e similares. Tudo com protocolos de prevenção à Covid-19. O quarteto fantástico se completa com a paixão pelo fogo e o terroir do chef Fernando Ruiz Diaz, 27; a vibe fusion e respeito ao consumo sustentável do chef Douglas Barcellos, 30; e múltiplas conexões do restaurateur e designer de experiências, Lucas Costa, 41.  

 A Garden Experience do Nuh Asian Food. Crédito: Lucas Costa / Divulgação / CP 

 

Mulheres compositoras em grande lista 

Já era grande e vai ficar ainda maior. A lista de compositoras (The Big List) do projeto Donne, banco de dados que reúne mais de 5 mil mulheres, ganha funcionalidades inovadoras com o lançamento de uma nova plataforma virtual: https://donne-uk.org/br/. A lista, que reúne desde compositoras pré-medievais até cantoras-compositoras contemporâneas, vai permitir aos usuários pesquisas com a combinação de diferentes parâmetros como período, gênero musical, localização, nacionalidade, identidade étnica, sexual ou de gênero. O Donne foi criado pela cantora lírica Gabriella Di Laccio (foto) e é um símbolo de sua aspiração por mudanças maiores e mais rápidas na indústria musical. Brasileira radicada em Londres há 19 anos, ela luta pela ampliação dos espaços dedicados às mulheres compositoras desde 2018, quando lançou o projeto. Dois anos depois, ela vê o momento como crucial: “Com muito mais conteúdo disponível online, devemos ver este momento extraordinário como uma oportunidade”, declara. Ela acredita que esse é o momento de aumentar o volume. As listas de composições das mulheres estão agora disponíveis diretamente no site, bem como um novo podcast, o Donne Talks.  

Donne foi criado pela cantora lírica Gabriela Di Laccio. Crédito: Arquivo Pessoal / Divulgação / CP 

 

 

Para incluir na Cena 

O teatro como ferramenta educacional voltou a ocupar espaço na agenda escolar de Porto Alegre na semana que passou e segue até quinta, dia 26, com ações produzidas e pensadas para as condições de isolamento social na 5ª edição do Inclusão em Cena. O festival de teatro para crianças, 100% on- line e gratuito, reúne oficinas e contações de histórias, com atividades traduzidas e interpretadas também na língua brasileira de sinais (Libras) em quatro escolas  da capital, com os professores Vika Schabbach, Thiago Pirajira, Janaína Pelizzon, Rita Spier e Bathista Freire. s on line a professores e estudantes. Essa imersão nas artes cênicas e na realidade de cada bairro é a base para as performances que os estudantes apresentarão digitalmente, de segunda a quinta. No dia 26, ficará disponível no site do festival e será enviado para as escolas os vídeos dos espetáculos  Criaturas da Literatura”, de teatro de sombras contemporâneo, da Cia Teatro Lumbra, inspirado em histórias clássicas da literatura universal e “A Família Silva”, livremente inspirado no conto Lolo Barnabé de Eva Furnari, com  

adaptação e atuação de Guilherme Ferrêra.  

 "Criaturas da Literatura", da Cia. de Teatro Lumbra, no 5º Inclusão em Cena. Crédito: Maciel Goelzer / Divulgação / CP 

 

 

 

POESIA 

 

QUILOMBOS 

 

Quilombos, Quilombos, Quilombos 

brancos nos contam a história, 

mas não esquecemos 

os laçaços no lombo. 

 

Quilombos, Quilombos, Quilombos 

lutaram, mataram, morreram. 

mas ficou em nós 

o símbolo de paz e liberdade 

na figura de Zumbi, nosso pombo. 

 

Quilombos, Quilombos, Quilombos 

saibam que se hoje reunimos forças, 

é graças ao legado 

que nos deixaram seus tombos. 

Paulo Ricardo Moraes, o Baiano, no livro “Eunuco” (1990) 

 


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