Há pelo menos uma década eu ensaiava a minha ida à Feira do Livro de Buenos Aires e sempre algo acontecia e eu não comparecia ao evento. Foi na 50ª edição que tive o prazer de estar em um evento gigante, com 1,34 milhão de visitantes em 19 dias. A Feira que se encerrou no dia 11 de maio teve o Peru como país homenageado e a presença de grandes autores, como dois prêmios Nobel de Literatura, o sul-africano J.M. Coetzee e o chinês Mo Yan. A edição 51 terá a Espanha como homenageada/convidada e será de 29 de abril a 17 de maio de 2027.
Há tanta coisa para se destacar na Feira. Primeiro é a paixão dos argentinos pelos livros e literatura. Não por acaso, alguns dos maiores escritores sul-americanos são argentinos, como é o caso de autores que participaram da Feira, como Selva Almada, Cláudia Piñeiro, Eduardo Sacheri, Gabriela Cabezón Cámara e Federico Jeanmarie.
Outro registro interessante, porém triste, foi o estande da Ediciones De La Flor, no Pabellon Ocre, com linha do tempo dos 60 anos da editora, fundada por Daniel Divinsky e Kuki Miler. A nota triste é que foi a última ação da De La Flor, responsável por publicações de obras de Quino, Fontanarrosa, Pablo de Santis, que fechou as portas deixando um vazio no mundo editorial do continente.
Um evento de destaque da Feira foi o Diálogo de Escritores e Escritoras da América Latina. Na sexta, 8 de maio, houve uma mesa interessantíssima, “Del Libro a Alfombra Roja” (Do Livro ao Tapete Vermelho), com o escritor brasileiro Marcelo Rubens Paiva (de “Ainda Estou Aqui”), o argentino Eduardo Sacheri (de “O Segredo dos Seus Olhos”) e a argentina Ana Correa (de “Somos Belén”). A conversa era com autores de livros adaptados ao cinema. Marcelo falou de aspectos da adaptação, inclusive do entrosamento com o diretor Walter Salles para desenvolver o roteiro, contando que no livro a narração era dele e no filme, a condução narrativa foi centrada na mãe, Eunice Paiva. Ainda tive tempo para assistir à mesa sobre “Poesia Brasileira – do Modernismo à Atualidade”, com os amigos escritores Pedro Gonzaga, Dani Espíndola e Rafael Bassi.
Conversa cultural
Começou com pé direito a primeira edição do evento “Casa da Palavra” no Teatro Simões Lopes Neto, Multipalco Eva Sopher. O escritor José Falero e o cineasta Jorge Furtado, com mediação de Bruna Paulin, conversaram sobre seus processos criativos. Também se tornou público que ambos estão trabalhando juntos na adaptação de um livro de Falero para o cinema. O evento tem patrocínio da Casa da Memória Unimed e apoio do Sescoop. A próxima edição será no dia 15 de julho, com Henrique Rodovalho, da Quasar Cia de Dança.
Grupo MÙ tem novo show em julho
Pais e filhos com ouvidos exigentes têm “Barco de Papel” como o mais novo show do Grupo MÚ, que há oito anos desenvolve composições voltadas às crianças no RS. Com tradução em libras, as apresentações de estreia serão gratuitas de 10 a 12 de julho no Teatro de Câmara Túlio Piva. Composto por 11 canções escritas por Rodrigo Apolinário e com arranjos de Paola Kisrt, JP e Isaías Luz, o espetáculo interativo estimulará os pequenos a se colocarem como criadores da obra. O público vivencia a experiência cênica e musical a partir da imaginação, sonoridades e corporeidade. Em cena, quatro músicos brincantes vão convidar os espectadores para uma viagem. Os ritmos são diversos, passando por baião, reggae e rock, entre outros, Além de cantar, os artistas utilizam guitarra, sax, bateria, baixo, bases eletrônicas, teclado, acordeon, percussão e sons do corpo. A direção artística é de Simone Rasslan. O projeto tem financiamento do Fumproarte, da Prefeitura de Porto Alegre.
- Com a colaboração de Adriana Androvandi
