Marcos Santuario

Abram alas, e telas

Sean Penn e Julia Roberts promoveram uma exibição especial do filme em Los Angeles (EUA), na Ross House
Sean Penn e Julia Roberts promoveram uma exibição especial do filme em Los Angeles (EUA), na Ross House Foto : Phillip Faraone / Getty Images via AFP

Pode avisar: o Brasil não está mais pedindo licença no cinema internacional, está entrando de sola, com câmera na mão e identidade própria na tela. Em meio a tempos desafiadores, a produção audiovisual brasileira prova que arte, quando feita com verdade, resiste, vibra e conquista.

A Academia Brasileira de Cinema acaba de confirmar nossos representantes em algumas das mais importantes premiações do cinema mundial, e promete. “Manas", de Mariana Brennand, é nossa aposta na categoria de Melhor Filme Ibero-Americano da 40ª edição do Prêmio Goya, em Barcelona. Vindo com moral de festivais como Veneza, Cannes e Rio, o longa retrata com sensibilidade e potência a jornada de Marcielle, menina de 13 anos enfrentando a crueza da vida na Ilha de Marajó. Um Brasil profundo, poético e feroz.

Já no Prêmio José María Forqué, em Madrid, dois filmes brasileiros entram na disputa: “Kasa Branca", de Luciano Vidigal, baseado numa história real e comovente de um jovem e sua avó em fase terminal de Alzheimer. Um filme que já emocionou plateias em Torino e no Festival do Rio, com delicadeza e força rara. “Oeste Outra Vez", de Érico Rassi, é um faroeste sertanejo com DNA 100% nacional, estrelado por Babu Santana e Ângelo Antônio, e vencedor de três Kikitos em Gramado. Sertão, pólvora e alma.

E estas escolhas vêm logo depois da indicação do potente “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, ter sido escolhido para representar o Brasil na corrida pelo Oscar de Melhor Filme Internacional. Sim, o Brasil está de volta à disputa da estatueta mais cobiçada do cinema mundial. Um thriller político que não tem medo de cutucar feridas abertas e mostrar ao mundo o peso da nossa história e a complexidade de nossos heróis silenciosos. E Porto Alegre poderá ver a obra de Kleber Mendonça em exibições especiais no início de outubro, na Casa de Cultura Mario Quintana e no Capitólio. Mais um momento histórico para o cinema nacional. Ou seja, a cortina se abre e os holofotes estão virados pra cá. O cinema brasileiro não pede palco, toma posse dele. Boa sorte aos nossos representantes. E que venha o mundo, porque o Brasil está mais do que pronto para brilhar.