Como uma força que o tempo não desgasta, há 54 anos, ininterruptamente, o Festival de Cinema de Gramado transforma a serra gaúcha em palco e tela para algumas das mais importantes produções do cinema brasileiro. Um festival que atravessa gerações, acolhe novas linguagens, celebra filmes em competição e amplia seu alcance com estreias de séries e títulos hors concours. Mas Gramado é também aquilo que acontece quando as luzes da sessão se apagam.
Hoje tem abertura oficial do evento, mas a movimentação já começou. Em sua 10ª edição, o Gramado Film Market reafirma que pensar o audiovisual é pensar o futuro. Da última quarta-feira até hoje, o Encontro Internacional de Cidades coloca o olhar da tela para o território. Questiona como fazer do audiovisual uma política pública capaz de gerar emprego, renda, turismo, inovação e projeção internacional. Tudo alinhado a proposta do próprio Festival.
A experiência de Medellín, apresentada por seus gestores, mostra que políticas consistentes podem transformar cultura em desenvolvimento. Entre os participantes, não se trata simplesmente de uma lista de convidados. São representantes do “corpo de decisão que move a economia criativa na Ibero-América”. Secretários de cultura e desenvolvimento, prefeitos, diretores de institutos de cinema, gestores de Medellín a Brasília. Nomes que ajudam a transformar orçamento público em cultura, turismo, emprego e projeção. E se o futuro depende de decisões, ele também depende de quem está chegando. Pela primeira vez, Gramado recebe a Residência para Jovens Cineastas. Entre mais de 200 inscritos, 60 profissionais de diferentes regiões do Brasil participam de uma imersão em formação, networking e mercado. E nas telas, dezenas de produções, com olhar curatorial apurado, em um festival de 54 anos que olha para frente. Preserva sua história e abre espaço para quem vai escrever os próximos capítulos do cinema brasileiro.
