A série “Cilada”, disponível na Netflix, aborda uma das questões mais polêmicas e urgentes da atualidade: a ética no jornalismo e os riscos de se julgar alguém sem a devida análise ou julgamento formal. O enredo gira em torno da personagem Ema Garay, uma jornalista de sucesso interpretada pela talentosa Soledad Villamil.
Ema é a apresentadora de um programa sobre crimes na internet, mas, ao longo da trama, ela se vê cada vez mais imersa no sensacionalismo e na prática de expor indivíduos como culpados, sem, inicialmente, considerar os devidos processos legais. Um dos dilemas centrais de “Cilada” é precisamente esse: o imediatismo de acusar antes de provar. Ema, ao flertar com a busca incessante por audiência e popularidade, passa por cima dos princípios éticos do jornalismo, apresentando como culpados casos que ainda não foram submetidos a um tribunal. Com o avançar da trama a protagonista vai mostrando suas outras facetas.
Ao interpretar Ema, Soledad Villamil oferece uma performance brilhante, demonstrando a complexidade da personagem, que se vê envolvida em uma teia de escolhas questionáveis que afetam não apenas sua carreira, mas também a vida de pessoas inocentes.
Conheci Soledad pessoalmente em festivais de cinema, até que nos tornamos colegas de curadoria do Festival de Cinema de Gramado. Já conhecia seu talento nas telas. Profissional séria e sensível. E tipo de pessoa com a qual a gente quer seguir conversando e trocando experiências sempre. Ficou mundialmente famosa pelo papel em "O Segredo dos Seus Olhos”, ganhador do Oscar. Ainda seguimos em contato. Ainda bem. A carreira de Soledad é marcada por papéis que exploram a psicologia das personagens, com uma sensibilidade que traz para cada cena, com toda a sua bagagem dramática. E é no mesmo tom que torna a Ema de “Cilada” uma figura intensa e, ao mesmo tempo, ambígua.
