Marcos Santuario

Brasileiro, negro e com afeto

Livro de estreia da cineasta e roteirista gaut é leitura mais do que indicada para novembro, Mês da Consciência Negra

Em 'Maicon e os Vira Latas Natalinos', há um menino negro adotado às vésperas do Natal, justamente o feriado que menos aprecia
Em 'Maicon e os Vira Latas Natalinos', há um menino negro adotado às vésperas do Natal, justamente o feriado que menos aprecia Foto : Reprodução / CP

O que acontece quando um menino que detesta o Natal ganha uma família justamente em dezembro? É dessa provocação, entre humor, fantasia e afeto, que nasce “Maicon e os Vira-latas Natalinos”, pela editora Intrínseca, livro de estreia da cineasta e roteirista gaut. Leitura mais do que indicada para novembro, Mês da Consciência Negra, trazendo para a literatura infantil uma narrativa que amplia representações, questiona imaginários e celebra a diversidade das famílias brasileiras.

Nascida em Angra dos Reis (RJ), formada em Cinema pela PUC-RS e radicada profissionalmente no audiovisual gaúcho, gaut é uma das fundadoras do Macumba Lab, coletivo de profissionais negros do Rio Grande do Sul. Roteirista de séries como “Auto Posto” e “De Volta aos 15”, também conquistou o prêmio de melhor curta-metragem gaúcho no 49º Festival de Cinema de Gramado, com “Desvirtude”. Agora, a experiência narrativa vem ao universo dos livros.

Maicon é um menino negro adotado às vésperas do Natal, justamente o feriado que menos aprecia. Na nova casa, encontra pais, um irmão, uma avó, uma prima nem tão fácil de suportar e Guaraná, um vira-lata caramelo. \A aventura começa quando descobre que o suposto sequestrador do cachorro é, na verdade, o Afro Noel, responsável pelo Natal brasileiro, que precisa de ajuda para encontrar os sete cães de sua carroça. A jornada atravessa Brasília, o Quilombo dos Palmares e Salvador, misturando referências nacionais, história e fantasia.

A obra se solidifica em um núcleo central negro, e desloca o Natal de sua representação tradicional. Ou seja, aproxima aproxima a tradicional data da brasilidade e de outras referências culturais.

Em tempos de necessária ampliação da diversidade na formação de leitores, livros assim cumprem papel se ajudar crianças a construir identidade, pertencimento e autoestima. Ao mesmo tempo, ensinam outras a reconhecer diferentes experiências familiares. O resultado é um olhar importante sobre uma literatura que se baseia também na ideia de que formar leitores também significa oferecer espelhos e janelas para o mundo.