Marcos Santuario

Bye, bye Cacá

Alguns dos encontros com o mestre se deram no Festival de Cinema de Gramado
Alguns dos encontros com o mestre se deram no Festival de Cinema de Gramado Foto : Bruna Provenzano / Divulgação / CP

Na madrugada da última sexta-feira, a sétima arte brasileira perdeu um de seus maiores mestres: Cacá Diegues. Sua partida deixa um vazio profundo, não apenas entre seus admiradores, mas também em toda a indústria cinematográfica que ele ajudou a moldar e a enriquecer.

Cacá era mais do que um diretor; ele era um verdadeiro emissário da cultura brasileira, trazendo ao mundo uma visão vital e apaixonada do nosso povo, nossos desafios e nossas belezas.

Estivemos juntos em várias ocasiões. A mais marcantes foram no velório do amigo comum José Wilker, quando foi presidente do Júri Oficial no Festival de Gramado, e quando esteve na Serra em outras ocasiões. Quando sua esposa, Renata Almeida Magalhães foi Júri no Festival, e quando ele veio apresentar seu último longa-metragem, “O Grande Circo Místico”, em première nacional.

Aliás, sua presença no festival se tornou um símbolo da importância de se contar histórias brasileiras, e sua contribuição ajudou a elevar o evento à sua posição de prestígio. Em suas participações, Cacá sempre foi uma voz ativa, incentivando novos talentos e defendendo um cinema que refletisse a riqueza cultural do Brasil.

Nascido em Alagoas ele deixa a marca profunda de uma carreira cinematográfica iniciada lá nos anos 1960, integrando o movimento do Cinema Novo. Foi a busca de um olhar mais crítico e artístico para a realidade brasileira.

Obras como "Bye, Bye, Brasil", "Deus e o Diabo na Terra do Sol", "Xica da Silva" e "Tenda dos Milagres" são marcos não apenas do cinema nacional, mas também de uma forma de narrativa que aborda questões sociais e identitárias de forma poética e impactante. Suas produções sempre foram acompanhadas de uma estética cuidadosa e um profundo amor pelo Brasil, o que lhe rendeu diversos prêmios, incluindo o Urso de Ouro no Festival de Berlim e prêmios em Cannes.

A paixão de Cacá Diegues por contar histórias e seu compromisso com a verdade e a beleza nos inspiraram e continuarão a inspirar gerações de cineastas. Adeus, Cacá. Você fará falta.