Marcos Santuario

Com e sem máscaras

Nova série brasileira conquista o mundo

No centro dessa narrativa pulsante está Johnny Massaro
No centro dessa narrativa pulsante está Johnny Massaro Foto : Netflix / Divulgação / CP

Quase quatro décadas depois, o Brasil encara o próprio espelho e o reflexo não é confortável. É radioativo. É humano. É urgente. “Emergência Radioativa” não é apenas uma minissérie. É um lembrete incômodo de que tragédias não desaparecem com o tempo.

O feito de alcançar o topo global entre produções não-inglesas no streaming da Netflix não deve ser tratado como surpresa.

O público internacional parece estar faminto por histórias reais, densas, fora do eixo previsível de sempre. O Brasil, por vezes reduzido a estereótipos exportáveis, mostra sua capacidade de produzir narrativa de tensão, dor e humanidade com rigor e identidade. Há algo de profundamente provocador no sucesso da obra. Ele desmonta a ideia de que apenas histórias “universais” cruzam fronteiras.

O acidente com o Césio-137 é brasileiro em sua geografia, mas universal em sua tragédia. O medo invisível, o despreparo institucional, o heroísmo anônimo. Tudo isso ecoa em qualquer canto do planeta. E talvez seja exatamente por isso que a série incomoda tanto. Poderia ter acontecido em qualquer lugar.

No centro dessa narrativa pulsante está Johnny Massaro, em uma ótima atuação. Seu trabalho não se apoia em excessos, mas em precisão. Massaro é protagonista que não busca ser herói, e justamente por isso se torna inesquecível. É o tipo de atuação que atravessa a tela e desarma o espectador, obrigando-o a sentir, não apenas assistir. Por isso vale muito apreciar outros trabalhos do ator, como o que fez em “Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente”.

A série, produzida pela HBO Max em parceria com a Morena Filmes, estreou no Festival de Cinema de Gramado. O ator também merece ser reconhecido nas atuações em “O Filho de Mil Homens”, “Aumenta que é Rock 'n Roll”, “O Pastor e o Guerrilheiro”, “O Filme da Minha Vida” e “A Frente Fria que a Chuva Traz”. Com “Emergência Radiotiva” vemos outro talento brasileiro que começa a ser conhecido e reconhecido, rapidamente, em todo o mundo.