Agora é oficial. Dos seis filmes pré indicados a concorrer a vaga de Filme Internacional no Oscar 2026, "O Agente Secreto” não é apenas o filme escolhido para representar o Brasil nesta corrida. Ele é, neste momento, o manifesto mais pulsante do cinema brasileiro no mundo. O longa de Kleber Mendonça Filho, que já entrou para a história com sua consagração em Cannes, onde arrebatou Melhor Direção, Melhor Ator (Wagner Moura) e os prestigiosos prêmios da crítica internacional (FIPRESCI e “Art et Essai”), agora se lança em uma campanha global de fôlego, carregada de força estética, reconhecimento crítico e estratégia cirúrgica.
É simbólico que sua temporada de premiações se abra em Los Angeles, no Museu da Academia, com uma sessão apresentada por ninguém menos que Walter Salles, ele próprio vencedor do Oscar, no Bravo Film Festival. Um gesto de passagem de tocha, de reconhecimento entre mestres, de legitimação diante da própria instituição que será, em breve, o palco de novas conquistas.
A publicação norte-americana Variety já não esconde: “O Agente Secreto” é forte aposta não só para a categoria de Melhor Filme Internacional, mas também para Melhor Filme, Melhor Roteiro Original e Melhor Ator. Uma projeção ousada, que coloca o Brasil no mapa da temporada com uma potência rara.
E os sinais não param de se acumular. Do AFI Latin American Film Festival ao Festival de San Sebastián, da abertura em Biarritz à consagração esperada em Morelia, da efervescência pop do Beyond Fest à reverência do Festival de Nova York, até o peso político do BFI London Film Festival , onde se reúnem os maiores votantes do Oscar fora dos EUA, “O Agente Secreto” constrói um percurso global impecável. Soma-se ainda a homenagem a Wagner Moura em Zurique, consolidando seu nome como favorito nas disputas de atuação.
A lista de festivais já visitados forma um verdadeiro mapa-mundi de conquistas: Sydney, Wroclaw, Lima, Melbourne, Nova Zelândia, Telluride. Cada exibição, cada prêmio, cada debate amplia o coro de vozes que ecoa em defesa de um cinema brasileiro vivo, ousado e de alcance planetário.
No Brasil, a energia é igualmente vibrante. O filme já incendiou o público em sessões lotadas no Recife, abre o Festival de Brasília, e segue em caravana por Manaus, Maranhão, Belo Horizonte, Fortaleza e Rio de Janeiro, antes de sua estreia nacional em 6 de novembro, com patrocínio da Petrobras, que celebra 30 anos de apoio ao nosso cinema. E como se não bastasse, estreia garantida em mais de 90 países, da China à Finlândia, dos Estados Unidos à Índia, transformando o longa em um verdadeiro fenômeno de exportação cultural.
“O Agente Secreto” não é apenas candidato ao Oscar. Ele é uma declaração: de que o cinema brasileiro não pede licença, mas ocupa espaço; de que nossas histórias, vozes e imagens têm força para atravessar fronteiras; e de que um filme pode ser, ao mesmo tempo, arte radical, espetáculo popular e ato político. Kleber Mendonça Filho arma, com sua câmera, uma conspiração luminosa. E o mundo inteiro já parece cúmplice.
