Marcos Santuario

Como se chega ao Oscar

O primeiro grande desafio é convencer uma comissão que aquela obra represente, naquele momento, a força, a diversidade e a identidade do cinema brasileiro diante do mundo

Prêmio Grande Otelo também é ação da Academia Brasileira de Cinema
Prêmio Grande Otelo também é ação da Academia Brasileira de Cinema Foto : Marcos Santuario / Especial / CP

Antes mesmo de um filme brasileiro cruzar o tapete vermelho do Oscar, ele precisa vencer uma disputa silenciosa dentro de casa. Importante emocionar plateias, conquistar bilheterias ou colecionar prêmios em festivais internacionais. Mas não basta. O primeiro grande desafio é convencer uma comissão de que aquela obra representa, naquele momento, a força, a diversidade e a identidade do cinema brasileiro diante do mundo.

Há alguns dias abriram as inscrições para definir qual longa-metragem defenderá o Brasil na corrida pela categoria de Melhor Filme Internacional da 99ª edição do Oscar, lá em março de 2027. Até 10 de agosto, produtores podem inscrever obras lançadas comercialmente entre outubro de 2025 e setembro de 2026, desde que atendam aos critérios da Academia Brasileira de Cinema, única instituição responsável por escolher o representante nacional.

O processo é rigoroso. São quinze profissionais do setor que formam a Comissão de Seleção. Escolhemos estes representantes anualmente, em votação entre os membros da Academia Brasileira.

A escolha feita pela Comissão é uma decisão que vai muito além do gosto pessoal. Ela envolve estratégia, potencial de circulação internacional, força artística e capacidade de dialogar com diferentes culturas sem perder sua essência brasileira.

A história mostra que essa escolha nunca é simples. Em alguns anos, o representante parecia inevitável. Em outros, provocou debates intensos entre críticos, realizadores e espectadores. A própria trajetória brasileira no Oscar revela isso.

Houve indicações históricas, como “O Quatrilho”, “O Que É Isso, Companheiro?”, “Central do Brasil” e “Ainda Estou Aqui”, além da consagração de “Cidade de Deus” em categorias principais. E houve escolhas contestadas e favoritos que ficaram pelo caminho. O filme escolhido carrega a responsabilidade simbólica de representar uma cinematografia plural, marcada por diferentes sotaques, gêneros, narrativas e visões de país.