O cinema gaúcho vive um momentos internacionalmente interessante. Neste setembro, dois realizadores jovens do Rio Grande do Sul estarão em dois dos mais importantes festivais do planeta. De Porto Alegre para Veneza e Toronto, Victor Di Marco, Márcio Picoli e Gabriel Motta desenham uma geografia cinematográfica que coloca o Estado novamente no mapa da invenção. Di Marco e Picoli desembarcam na Itália para apresentar “London”, longa queer selecionado para a Semana da Crítica do Festival de Veneza, o mais antigo festival de cinema do mundo. É uma chegada especialmente simbólica para uma dupla que começou com o curta “Zagêro”, em 2025, e, em apenas quatro anos de trajetória, realizou quatro curtas e um longa, conquistando também o Troféu Iecine Inovação.
Di Marco, ator, roteirista e protagonista, vive jovem performer com deficiência. O filme nascido em Porto Alegre enfrentou a devastadora enchente gaúcha e confronta capacitismo, tabus sobre sexualidade e discursos que querem transformar corpos dissidentes em problemas.
Enquanto isso, Toronto recebe outro gaúcho. Após conquistar o prêmio de Melhor Direção na Mostra Gaúcha do 54º Festival de Cinema de Gramado, Gabriel Motta foi selecionado para o TIFF Directors’ Lab 2026. Diretor do premiado “Pastrana”, ao lado de Melissa Brogni, é o único representante latino-americano selecionado ao evento.
Motta retorna ao Festival Internacional de Toronto um ano depois de apresentar ali a estreia mundial de seu curta “O Véu”. Agora leva o projeto do longa homônimo, que desenvolve o universo de terror criado anteriormente. Entre Toronto, Cannes e Hong Kong, o filme já encontrou importantes espaços de desenvolvimento e financiamento. Veneza e Toronto são novas portas. E o cinema gaúcho, depois de sobreviver à enchente, às dificuldades de produção e aos velhos limites do mercado, parece decidido a atravessá-las. E o mundo está olhando. Resta saber se nós, por aqui, estamos olhando de volta.
