Marcos Santuario

De Agente Secreto a Ibsen

A Última Casa, estrelado por Wagner Moura e Greta Lee
A Última Casa, estrelado por Wagner Moura e Greta Lee Foto : Netflix / Divulgação / CP

Antes de tudo vale destacar que o momento vivido por Wagner Moura vai muito além do sucesso de um único filme. Trata-se da consolidação de uma carreira que rompe fronteiras, sem abrir mão da identidade brasileira. Há artistas que representam uma geração. Outros conseguem representar um país inteiro diante do mundo. Aos 50 anos, Wagner Moura vive um desses momentos raros em que talento, maturidade e reconhecimento internacional convergem para ampliar o espaço da cultura brasileira nas telas e nos palcos.

Depois da repercussão de “O Agente Secreto” e cercado por novos convites para o cinema, Moura volta a ocupar um lugar de destaque também no streaming global. Em “A Última Casa”, produção da Netflix que estreia em 7 de agosto, divide a cena com Greta Lee em um thriller de ficção científica dirigido por Louis Leterrier. É um gênero que exige intensidade dramática, suspense e forte presença cênica, características que transformaram o ator em uma referência internacional muito além de seus personagens mais conhecidos.

Mas talvez o aspecto mais significativo desse momento esteja justamente na diversidade de linguagens que ele abraça. Enquanto protagoniza uma grande produção audiovisual de alcance mundial, Wagner percorre importantes festivais de teatro da Europa com “Um Julgamento – Depois do Inimigo do Povo”, criação concebida ao lado da diretora Christiane Jatahy. A montagem transforma a obra de Henrik Ibsen em uma experiência contemporânea, na qual o público deixa de ser apenas espectador para participar de um debate sobre democracia, justiça e responsabilidade coletiva.

Poucos artistas transitam com tanta naturalidade entre a escala industrial do entretenimento global e a potência.