Quando o The New York Times divulgou sua ambiciosa lista com os 100 melhores filmes do século 21, convocando mais de 500 nomes da elite cinematográfica mundial, poucos esperavam que o Brasil fosse tão incisivamente lembrado — mas foi. E o recado está claro: o cinema brasileiro não apenas participa da conversa global, ele exige espaço nela.
Entre obras de pesos-pesados como “Parasita” (Bong Joon-ho), “Sangue Negro” (Paul Thomas Anderson) e “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças” (Michel Gondry), lá está “Cidade de Deus” (2003), de Fernando Meirelles e Kátia Lund, despontando orgulhosamente na 15ª posição. Uma façanha monumental para um filme feito nos morros do Rio, com elenco majoritariamente de atores estreantes, e que se tornou referência internacional em narrativa, montagem e estética.
Foi o momento em que o mundo parou e disse: “O Brasil sabe fazer cinema, e sabe fazer como poucos.” Mas o Brasil não se limitou a único representante. “A Vida Invisível” (2019), de Karim Aïnouz, foi citado por votantes de peso como Rachel Zegler e Pamela Anderson, escancarando o apelo emocional e poético da produção nacional. Um filme que desenterra dores silenciosas, transforma sutileza em fúria e reafirma o talento da nova geração de cineastas brasileiros. É escolha simbólica e potente: não se trata só de reconhecimento, mas de reparação cultural. Estamos falando de uma indústria que, mesmo sob constantes ataques, cortes de verba e desprezo institucional, segue firme e criativa. Filmes como “Que Horas Ela Volta?” (Anna Muylaert), “Bacurau” (Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles) e “Marte Um” (Gabriel Martins), mesmo sem estar na lista, habitam a memória recente da crítica e do público internacional. É questão de tempo até ocuparem novos rankings e novas conversas.
