Marcos Santuario

Escândalo anatômico

“Anatomia de um Escândalo” é uma série criada por David E. Kelley, o mesmo de “Big Little Lies”, disponível na Netflix.

Série tem sido um sucesso no streaming
Série tem sido um sucesso no streaming Foto : Netflix/ Divulgação / CP

Parece tema já conhecido. Traição, vingança, poder, coisificação da mulher e o estremecer de relações familiares, amorosas e políticas. Tudo isso, junto, forma a trama de “Anatomia de um Escândalo”, série criada por David E. Kelley, o mesmo de “Big Little Lies”, disponível na Netflix. O que começa como drama político, vai ganhando contornos ainda mais interessantes, e se vale de efeitos ousados e que deslocam a audiência da trama por segundos, repercutindo em engajamento instantâneo posterior. O que pode parecer baseado em fatos reais, tal a veracidade das cenas e do próprio elenco, é fictício e se baseia em um livro homônimo, publicado em 2018, e escrito pela britânica Sarah Vaughan. Ela deu vida a situações que remetem a poderes políticos de figuras do Reino Unido, a imprensa britânica e o aspecto legal, com intensidade.


Na trama, livro e filme traçam panorama sobre vida e ação do político James Whitehouse, vivido por Rupert Friend, envolvido em um escândalo. Ele acaba acusado de má conduta sexual, após viver um caso com a colega de trabalho Olivia Lytton, interpretada pela atriz Naomi Scott. Outra protagonista da trama é vivida por Sienna Miller. Trata-se de Sophie Whitehouse, esposa do político que, aos poucos, vai desvendando segredos e conhecendo melhor o homem com quem se casou. E ela acaba dividida entre acreditar na história que o marido contou, ou na versão da jovem. Em seus seis episódios, a série vai construindo narrativas que podem envolver e também produzir sentimentos dos mais diversos na audiência. Mesclando mistério e suspense, a produção vai além do novelesco e ganha contornos de thrillers e drama sócio-político. 


E mesmo sendo ficção, a autora confirmou em entrevistas anteriores que seu livro tem grande inspiração de seus vários anos trabalhando como jornalista política e repórter de tribunais. Ali, ela cobriu diversos casos notórios e escândalos políticos, e essa experiência com certeza adicionou uma dose de realismo a seu livro – e à série que o adaptou. Ou seja, Sarah bebeu na fonte dos tribunais e das investigações para construir os personagens e amarrar uma trama que envolve escândalo sexual, opressão de gênero em um universo político estabelecido. Qualquer semelhança não é mera coincidência.