Os escritores podem estar em muitos lugares. A literatura também. Nestes momentos, ambos estão de olho na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, tido como o maior evento literário da América Latina, iniciado na última sexta-feira, dia 6, e que deve atrair, até dia 15, mais de 600 mil visitantes na sua 27ª edição.
Acontece lá no Distrito Anhembi, em São Paulo, reunindo editoras, autores e leitores apaixonados pelo universo dos livros. Mais perto da gente, aqui no Rio Grande do Sul, logo teremos a Feira do Livro de Porto Alegre, na primeira quinzena de novembro. Mas, no fundo, a distância dos eventos não importa tanto. Lá, ou aqui, em tempos de velocidade, multiconexões e hiperencontros, o universo online aproxima e conecta obras, leitores e autores. E não foi em nenhum destes espaços do livro que encontrei um autor que já transita neste universo, mas que eu não sabia. Nada de famoso nome midiático ou reconhecido em muitos meios.
Foi na minha barbearia preferida que lá estava o Matheus Jucinsky. Aparentemente tímido, foi só o jovem começar a falar, ainda enquanto seu cabelo era cortado, que deu para perceber o conteúdo e a capacidade comunicativa do guri. Aí foi se apresentando. Estava ali o autor de “Era Uma Vez Um Mistério no Tempo”, que se aventurou nos estudos de Publicidade e Propaganda mas acabou se encontrando na criação de histórias que viram livros e contagiam vidas. Gostei da premissa do livro: “E se você pudesse entrar nos seus filmes favoritos?”. E “é o que acontece quando o adolescente da obra, Eloy Petersen encontra a antiga televisão do seu avô e descobre que pode ser transportado para dentro de filmes famosos”. Desta união, do arcaico aparelho de tevê com o sonho de viajar no tempo, que o trabalho deste jovem autor vem ganhando novos voos.
Ele estará na Bienal de São Paulo, em meio a autores de todas latitudes e temáticas. Será visto, conhecido ou reconhecido por seu público que circula neste universo. Para chegar lá teve que viajar no tempo e no espaço, com criatividade, talento, coragem e uma boa dose de imaginação. Personagem e autor merecem ser conhecidos e reconhecidos. Matheus é, em grande parte, a representação deste sonho de encontrar e conquistar o nosso lugar neste mundo. E também no mundo imaginário dos outros. Caminho que não tem nem tempo e nem espaço pra começar.
