O Uruguai entra em cena no verão como quem acende um projetor sob as estrelas. Mais do que um destino turístico, o país se afirma como território cinematográfico pulsante, onde praias, balneários e memória se transformam em salas de exibição. Três festivais ajudam a entender por que o cinema vive momento tão vibrante. A largada vem com o 16º Festival Internacional de Cinema de José Ignacio (Jiiff), a partir de 24. O evento é, antes de tudo, uma experiência sensorial, com filmes exibidos ao ar livre, entre o mar, a antiga estação de trem de Garzón e a chácara Mallorquina. Entre os nomes internacionais da edição está Willem Dafoe, protagonista de “O Suflê”, do argentino Gastón Solnicki, ambos presentes no festival. Também exibirá o longa-metragem brasileiro “O Agente Secreto”.
Em fevereiro, Punta del Este assume o protagonismo com o 28º Festival Internacional de Cine de Punta del Este (Ficpunta), de 7 a 12, com programação gratuita. Mais de 40 produções tratam de consolidar o evento como vitrine do cinema ibero-americano contemporâneo. Novidade é o retorno ao evento do diretor de Programação Cultural, Valentin Trujillo. O Brasil marca presença com os já vistos por aqui “Quase Deserto”, de José Eduardo Belmonte; “3 Obás de Xangô”, de Sérgio Machado; e “Querido Mundo”, de Miguel Falabella, que teve première no Festival de Gramado 2025.
Fechando esse tríptico cinematográfico, está o Festival de Cinema Judaico de Punta del Este (Ficju), de 21 a 24 de fevereiro. Mais do que um festival, é espaço de encontro, reflexão e identidade, com ficções, documentários e curtas que exploram a cultura judaica e a diversidade das comunidades pelo mundo. Realizado à beira-mar, o evento transforma o balneário em ponto de convergência cultural internacional e reforça o papel do cinema como ferramenta de educação, memória e integração. Com cerca de 2.500 participantes, o festival reafirma que, no Uruguai, cinema também é diálogo, pertencimento e provocação.
