Foram apresentados nesta sexta-feira os filmes que vão compor as programações do Festival de Cinema de Gramado 2022. Trata-se de uma edição marcante, pois será a vivência de meio século de um festival ininterrupto, que tem acompanhado todos os movimentos do cinema e do audiovisual em geral, desde o seu surgimento lá em 1973.
Seguramente, os seus criadores, incluindo aí o sempre lembrado Horst Volk, e o então secretário de Turismo Romeu Dutra, não imaginavam como seriam as próximas cinco décadas. Nem em relação ao cinema, e menos em relação ao evento que tiveram a ousadia de criar. Não é segredo que o Festival de Cinema de Gramado passou por momentos difíceis, acompanhando inclusive os altos e baixos da produção audiovisual e cultural brasileiras. Em momentos em que não havia filmes, lá pelos anos 1990, quando ações governamentais no país dificultaram o desenvolvimento dos projetos desta indústria criativa, o evento teve que se reinventar. Tornou-se mais amplo, aberto e adequado aos novos tempos que estavam surgindo. Internacionalizou-se para ter filmes a mostrar. Os latinos e os ibero-americanos viram as portas abertas.
O fato também deu a conhecer o evento realizado na cidade de interior, no sul do Brasil, para outras latitudes. E longitudes. Colocou Gramado no mapa dos festivais de cinema. No mapa da produção audiovisual. No mapa da cultura. E deu ainda mais força para a vocação inicial da cidade: o turismo. Quando completou 40 anos, o Festival de Cinema de Gramado olhou para si e decidiu que era hora de algumas mudanças fundamentais. Ao lado dos queridos e talentosos José Wilker e Rubens Ewald Filho trabalhamos na construção e (reconstrução) de uma identidade audiovisual com atualização de critérios para selecionar os filmes que ganhariam o Palácio do Festivais. Com o apoio de muita gente, amigos e futuros amigos, a edição de 2012 foi um marco. Fernando Meirelles, Arnaldo Jabor, Eva Wilma, Juan José Campanella e Betty Faria, entre outros, nos abraçaram e abraçaram o Festival de Gramado. Era a certeza de que haveria ainda mais fôlego para a próxima década. Ela chegou. Os filmes selecionados têm mostrado a diversidade, o alcance e a contemporaneidade de um cinema brasileiro e ibero-americano, potente, inclusivo e resistente. De olho no futuro.
