Com a recente morte do Papa Francisco muito se publicou sobre que filmes ver na temática papal, conclaves e etc. O que pouco se tem falado é da visão deste Papa sobre o cinema. “Território de memórias e oficina de criatividade”, dizia. Esta foi uma das definições deixadas pelo pontífice argentino. O Jorge Mario Bergoglio, quando criança, no período pós-guerra, assistia com seus pais aos filmes neorrealistas italianos, que marcavam sua imaginação nos distantes momentos argentinos. Seu coração foi formado, em grande parte, pelos filmes que viu. Como qualquer mortal. Reforçou a ideia quando se encontrou com representantes do cinema. A força da tela foi resumida por ele como comunhão, criatividade e visão. Agregador e momento educativo e formativo, para reconectar relações desgastadas pelas tragédias vividas. Para Francisco, o cinema também foi sempre uma ferramenta para voltar a falar de “beleza”. “’La Strada’, de Fellini, é talvez o filme que mais amei”, teria revelado em 2013.
Outros filmes que ele disse ter amado foram “Roma, Cidade Aberta” e “As crianças nos Observam”, de Vittorio De Sica. Costumava também lembrar da cena feliz do filme “A Festa de Babette”, onde a generosa cozinheira recebe um abraço agradecido e um elogio: “Como você encantará os anjos!”. O filme de Gabriel Axel, baseado num conto de Karen Blixen, conta a história da generosidade de Babette, que, acolhida por Martina e Philippa, filhas de um pastor, anos depois decide usar o dinheiro que ganhou numa vitória para homenagear o pai das duas mulheres com um grande jantar. Ela gasta tudo, mas se alegra por ter feito os outros felizes.
Entre algumas revelações, Francisco contava que estava em Buenos Aires e, para explicar o diálogo entre avós e crianças, recomendava um filme de mais de 30 anos atrás, “Rapsódia em Agosto”, de Akira Kurosawa. O argentino também chamava de obra-prima “Andrei Rublëv”, de Tarkovsky, e se deixou conhecer mais, inclusive nos gostos culturais, com o diretor alemão Wim Wenders. O resultado foi um documentário de 2018 filmado na Cidade do Vaticano: “Papa Francisco. Um Homem de Palavra”. Valem os registros.
