Como maio é o mês das mães, isso significa muito mais do que flores e almoços de domingo. É um lembrete poderoso das camadas profundas, contraditórias e, por vezes, violentas do vínculo entre mães e filhos. O cinema, com sua lente implacável e sensível, tem sido um espelho das múltiplas faces da maternidade: a devotada, a falha, a forte, a ausente, a sacrificada, a que ama até doer e a que fere com esse mesmo amor. Neste mês, que tal olhar para elas com mulheres complexas? Em “A Escolha de Sofia”, Meryl Streep nos presenteia com uma das performances mais devastadoras da história do cinema. Sophie carrega o fardo de uma escolha impossível, marcada pelas cicatrizes do Holocausto, e nos lembra que o amor de uma mãe pode ser tragicamente esmagado por forças externas. Já em “Instinto Materno”, vemos a sombra do controle: até onde uma mãe vai para proteger um filho adulto de enfrentar as consequências dos próprios atos?
A ausência também pesa. Em “Sonata de Outono”, a distância entre mãe e filha é preenchida com anos de silêncio e frustração, numa dança dolorosa entre expectativas e ressentimentos. E em *Era uma vez em Tóquio*, Ozu nos mostra como o tempo transforma pais em meros coadjuvantes da vida dos filhos. Mas nem sempre é o abandono que assombra: às vezes, é a intensidade. *Mommy*, de Xavier Dolan, nos apresenta uma mãe vibrante, viva, mas à beira do colapso, tentando não afundar junto com o filho problemático. Em *O Quarto de Jack*, Joy transforma um cativeiro em lar, em mundo, em afeto, provando que mães criam universos mesmo dentro de um cubículo. Há ainda aquelas que rompem barreiras sociais e afetivas como em “Que Horas Ela Volta?”, onde Val desafia o lugar que a sociedade reservou a ela e à filha. E tem muito mais. Filmes, e mães.
