Se “o mundo precisa de heróis”— o cinema, mais do que nunca, precisa de renovação. Nas telas, “Superman” estreia sob a direção e roteiro de James Gunn, com David Corenswet vestindo o icônico manto azul e vermelho, Rachel Brosnahan como uma Lois Lane afiada, e Nathan Fillion como o sempre carismático Guy Gardner. Mas não se engane: isso não é apenas mais um reboot. É uma declaração de guerra — contra a mediocridade, contra o cansaço narrativo e, principalmente, contra os próprios fantasmas do Superman no cinema. Desde Christopher Reeve, o personagem viveu um ciclo doloroso de reinvenções frustradas. “Superman Returns” (2006) tentou ressuscitar a nostalgia e fracassou na emoção. “O Homem de Aço”, de 2013, dirigido por Zack Snyder, apostou em um tom sombrio e explosivo, e embora tenha seus defensores, nunca entregou o Superman que inspira — apenas o que sofre. As sequências mergulharam o personagem em um universo cinza, literal e metafórico, que o distanciou completamente da sua essência solar.
James Gunn promete virar essa mesa. Conhecido por revitalizar personagens de segunda linha (e transformá-los em ícones pop), como fez em “Guardiões da Galáxia” e “O Esquadrão Suicida”, Gunn agora enfrenta o maior desafio de sua carreira: fazer o Superman voltar a ser relevante — e necessário. O diretor já avisa: seu Superman é empático, idealista, humano. Uma aposta arriscada num tempo cínico, onde heróis falham, morrem, matam… e talvez por isso mesmo, essencial. Não é só uma estreia, é um divisor de águas. Gunn assume o leme do novo Universo DC com um filme que precisa provar duas coisas ao mesmo tempo: que o Superman ainda tem algo a dizer — e que a DC, finalmente, sabe o que está fazendo. O público está dividido: esperança ou desconfiança? Expectativa ou fadiga?
