Há uma beleza especial nas homenagens feitas em vida. Elas permitem que artistas e profissionais reconheçam, diante do público e dos colegas, a dimensão de suas próprias trajetórias. No 54° Festival de Cinema de Gramado, que segue até sábado, dia 22, Marcos Caruso já se emocionou ao receber o Troféu Cidade de Gramado, enquanto a produtora Renata Almeida Magalhães foi distinguida com o Troféu Eduardo Abelin, aplaudida e reverenciada.
Mais do que celebrações, esses troféus são formas de preservar a memória do cinema brasileiro. Homenagear em vida é, portanto, também uma maneira de fazer justiça ao presente. E, a notícia da morte de Laura Cardoso, aos 98 anos, confere ainda mais força a essa reflexão. A atriz foi homenageada em Gramado há três anos, com o Troféu Oscarito. E aquela edição ficou marcada por outra despedida dolorosa. Léa Garcia morreu em 15 de agosto de 2023, justamente no dia em que receberia a mesma homenagem.
Laura e Léa nos lembram que o tempo não espera a cerimônia. Por isso, celebrar enquanto é possível, reconhecer enquanto estão entre nós, é uma forma de transformar aplauso em memória. E talvez essa seja uma das missões mais nobres de um festival. A de não apenas premiar filmes, mas impedir que as histórias de quem fez o nosso cinema desapareçam.
Outra perda importante, acontecida mais para o fim da tarde, também marca a história do Festival de Cinema de Gramado. Glória Menezes, que morreu ontem no Rio de Janeiro, aos 91 anos. Dama da TV, do teatro e cinema, ela já foi homenageada no festival com o Troféu Oscarito em 2005, sendo uma pessoa de enorme importância ao cinema brasileiro. Para nós, é sempre importante manter estas homenagens e estas lembranças para sempre de artistas que ajudaram a construir o audiovisual brasileiro.
