Marcos Santuario

Maior espaço aos documentários

“Gonzaguinha, Da Maior Liberdade” é um filme que busca resgatar em letras, imagens e sons a fúria e a poesia de um dos artistas mais importantes para a construção e a discussão popular de nossa história democrática
“Gonzaguinha, Da Maior Liberdade” é um filme que busca resgatar em letras, imagens e sons a fúria e a poesia de um dos artistas mais importantes para a construção e a discussão popular de nossa história democrática Foto : Festival de Cinema de Gramado / Divulgação / CP

Nos documentários, a diversidade também orienta o percurso curatorial do Festival de Cinema de Gramado. Dialoga com um momento de renovação do gênero no audiovisual mundial. Depois de ampliarem sua presença nas plataformas, os documentários seguem conquistando espaço em festivais, salas e circuitos internacionais. São valorizados pela capacidade de interpretar o presente, preservar memórias e dar visibilidade a vozes e territórios. No Brasil, esse movimento ganha força com a retomada de políticas públicas, o crescimento da produção independente e a maior circulação internacional de nossos filmes.

Em um evento com 54 anos de história, manter espaço competitivo para o gênero significa reconhecer sua força artística e sua relevância para o cinema contemporâneo, além de aproximar diferentes públicos, realizadores e territórios.

Os filmes selecionados expressam essa amplitude. “Gonzaguinha – Da Maior Liberdade”, de Susanna Lira, revisita um artista cuja obra permanece atual e necessária. “O Projeto”, de Sabrina Fidalgo e Yvan Rodic, tensiona estruturas e imaginários. “Empeleitada”, de Pernambuco, reafirma a vitalidade do documentário em diálogo com territórios em transformação. “Afrontosa”, de Campinas, amplia discussões sobre identidade, resistência e representação. Juntos, eles mostram que documentar o Brasil é também reinventar os modos de enxergá-lo.