Marcos Santuario

O Brasil voltou

Filme O Último Azul
Filme O Último Azul Foto : VITRINE FILMES / DIVULGAÇÃO / CP

Depois de anos difíceis, de salas esvaziadas e da ameaça constante das janelas curtas e das plataformas de streaming, o cinema brasileiro prova que a magia da telona não morreu – só estava esperando o momento certo para rugir mais alto. E o primeiro semestre de 2025 foi esse momento. Um renascimento. Um espetáculo. Um tapa com pipoca na cara de quem decretou o fim das salas escuras. De janeiro a junho, os cinemas brasileiros faturaram R$ 1,2 bilhão com a venda de 61,2 milhões de ingressos. Isso não é só um número: é um público que voltou, que escolheu a sala de cinema em vez do sofá. Um sinal claro de que a experiência coletiva, a emoção da tela gigante, o som que vibra no peito e a catarse compartilhada seguem insubstituíveis. Não foi sorte. Foi cinema de verdade.

Foi o retorno triunfal da produção nacional com títulos como “Ainda Estou Aqui”, nossa primeira estatueta do Oscar, “O Último Azul’, Urso de Prata em Berlim; e sucessos como “O Auto da Compadecida 2”, “Chico Bento”, “Vitória” e “Homem com H”. Filmes que falaram com o público, que emocionaram e divertiram, e que mostraram que sim, o Brasil sabe fazer cinema – e sabe levar multidões de volta às poltronas. Do outro lado da engrenagem, as redes exibidoras também reagiram com inteligência e ousadia. Cinemark, Cinesystem e outras redes apostaram em experiências além do filme: sessões especiais, campanhas criativas, programas de fidelidade, colaborações com marcas e uma reinvenção da ida ao cinema como um evento, não uma obrigação. Um entretenimento vivo, pulsante, relevante. Os blockbusters internacionais também ajudaram, mas a cereja do bolo é, sem dúvida, o papel protagonista do cinema brasileiro nesta retomada. O cenário ainda está 30% abaixo de 2019, é verdade. Mas o cinema brasileiro pegou impulso.