Marcos Santuario

O cristal para sempre

Eduardo Coutinho foi o primeiro a receber o Kikito de Cristal, na 35ª edição do Festival de Cinema de Gramado, em 2007. Na foto ao lado da atriz Marília Pêra
Eduardo Coutinho foi o primeiro a receber o Kikito de Cristal, na 35ª edição do Festival de Cinema de Gramado, em 2007. Na foto ao lado da atriz Marília Pêra Foto : Diego Vara / CP Memória

Há troféus que reconhecem uma carreira. E há aqueles que, com o passar do tempo, tornam-se parte da própria história do cinema. O Kikito de Cristal, uma das homenagens especiais do Festival de Cinema de Gramado, pertence a essa segunda categoria. Criado para celebrar artistas de trajetória extraordinária no audiovisual e que levaram sua arte para além das fronteiras brasileiras, o troféu carrega hoje um significado ainda maior.

O primeiro Kikito de Cristal foi entregue a Eduardo Coutinho (em 2007, foto abaixo), nome fundamental do documentário brasileiro. Desde então, a homenagem se consolidou como um dos momentos mais simbólicos do festival, aproximando gerações e reafirmando a dimensão internacional da nossa produção artística.

Este ano, porém, Gramado escreve uma página histórica ao entregar dois Kikitos de Cristal. Dois troféus, dois grandes intérpretes, duas trajetórias que ajudam a projetar o Brasil no mundo. Selton Mello e Maria Fernanda Cândido. Ambos construíram carreiras de enorme relevância no país e atravessaram fronteiras, mostrando que a excelência da atuação brasileira não conhece limites geográficos.

Mais do que premiar o passado, o Kikito de Cristal, produzido lindamente pela Cristais de Gramado, celebra a permanência da arte. Em Selton e Maria Fernanda, Gramado reconhece artistas que transformaram talento em linguagem universal. E a maior força do troféu é lembrar que, quando um brasileiro ocupa uma tela no mundo, leva consigo um pouco da nossa cultura, da nossa identidade e da nossa capacidade de contar histórias.