Marcos Santuario

Obras brasileiras essenciais

Livro sobre 100 filmes brasileiros essenciais é lançado na Mostra de Cinema em São Paulo e, em novembro, chega à Feira do Livro de Porto Alegre

Livro de membros da Associação Brasileira de Críticos de Cinema apresenta obras essenciais da cinematografia nacional
Livro de membros da Associação Brasileira de Críticos de Cinema apresenta obras essenciais da cinematografia nacional Foto : Reprodução / CP

Uma lista dos filmes essenciais de uma cinematografia é sempre mais do que uma seleção de títulos. Dez anos depois de sua primeira edição, a Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) volta a essa provocação com o livro “100 Filmes Brasileiros Essenciais”, que lançamos na última sexta-feira, dia 23, durante a 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Em novembro, a publicação também chega à Feira do Livro de Porto Alegre, com encontro e autógrafos gaúchos.

O intervalo de década não representa apenas atualização de nomes. Revela transformações na maneira de olhar para o cinema brasileiro, narrativas, personagens e ausências históricas. Cineastas e obras consagradas dividem espaço com filmes e temáticas antes marginalizados.

Do seminal “Limite” ao reconhecimento internacional de “O Agente Secreto”, uma publicação que percorre diferentes fases da produção nacional. São 100 ensaios sobre filmes, assinados por cem autores, entre críticos e especialistas brasileiros e estrangeiros, além de 15 artigos históricos e analíticos. Organizado pelos colegas críticos Danilo Fantinel, Ivonete Pinto e Paulo Henrique Silva, o volume publicado pela Literíssima transforma a reflexão crítica em um convite à descoberta.

A diversidade do cinema brasileiro também ajuda a explicar sua repercussão além das fronteiras. Na apresentação, Ahmed Shawky, presidente da Federação Internacional de Críticos de Cinema (Fipresci), destaca a capacidade dessa produção de combinar raízes locais, liberdade estética e diálogo com públicos globais. Uma identidade que não depende de uma fórmula, mas justamente da pluralidade de formas, territórios e experiências. Iniciativas como essas são fundamentais para que a história do nosso cinema não fique restrita às telas ou aos círculos especializados.