Na antessala da Cidade das Artes, no Rio de Janeiro, na última semana, a equipe do filme “Ainda Estou Aqui” foi a mais assediada. Competindo em 16 categorias do Troféu Grande Otelo, entregue pela Academia Brasileira de Cinema, a produção que garantiu o primeiro Oscar do Brasil, levou 13 estatuetas. Walter Salles, com seu sorriso tímido, me revelou, além da alegria, o cansaço de ainda estar em meio a outras produções enquanto vive novos momentos do sucesso do filme que colocou o Brasil na vitrine mundial com maestria.
Com aplausos que pareciam não ter fim, o elenco subiu ao palco para receber os prêmios mais cobiçados da noite, incluindo Melhor Filme, Direção e Atuação. E não faltaram palavras fortes. “Este filme é um ato de permanência. Em um país que já tentou nos apagar, estamos aqui, mais vivos do que nunca!”, declarou Walter Salles, diretor festejado em várias partes do mundo pelo trabalho realizado. Claro que teve lágrimas e abraços em cena aberta. O que era para ser uma premiação formal virou ato político, festa cinematográfica e catarse coletiva. E os atores? Roubaram a cena também nos discursos. Fernanda Torres e Selton Melo.
O resumo dos discursos dos dois pode ser algo como: “ganhar esse prêmio é bonito, mas mais bonito ainda é ver esse filme ecoando em tantos corações”. “Ainda Estou Aqui” segue se mostrando mais do que cinema. É um testamento. É o reflexo de uma trajetória que ousou existir em meio à crise, ao desmonte cultural, à indiferença institucional. E venceu. Venceu com poesia, com política, com humanidade. Venceu com suor, com lágrimas e com um talento que ninguém mais pode ignorar. Na cerimônia, enquanto os nomes do filme ecoavam nos alto-falantes e as palmas sacudiam a Cidade das Artes. E uma certeza se impunha: *eles ainda estão aqui*. E ninguém vai esquecer.
