Marcos Santuario

Para lembrar sempre

O Museu do Oscar, em Hollywood, é um exemplo de futuro
O Museu do Oscar, em Hollywood, é um exemplo de futuro Foto : Daniel Gomez / The Academy / DIVULGAÇÃO / CP

Estes dias o país lembrou das memórias, com a 23ª Semana Nacional de Museus celebrada de 12 a 18 deste mês. Discursos feitos, palmas protocolares, selfies em frente a obras postadas, como se a cultura fosse um filtro vintage no Instagram. Mas será que só isso basta? Quantos museus você visitou este ano? Quantos você nem sabia que existiam? Pois é. A verdade é que homenagens são importantes, sim — mas só se forem mais do que palavras bonitas em paredes brancas.

Os museus não são depósitos de coisa velha. São centros nervosos de memória, resistência e provocação. São onde a história grita quando o presente tenta silenciá-la. Precisamos homenageá-los com atitude: investimento, visita, debate. E mais: precisamos urgentemente criar novos museus. Foi essa energia que mobilizou à transformação do Palácio do Kikito, do Festival de Cinema de Gramado — esse ícone da sétima arte — em um museu vivo. Um espaço para que as gerações futuras entendam que o cinema nacional é mais do que meia dúzia de comédias globais. É resistência, identidade, arte pulsando nos bastidores da serra gaúcha. E o espaço, na parte superior do Palácio dos Festivais, em Gramado, segue cada vez mais pulsante.

E como não lembrar do Museu do Oscar, em Hollywood? Erguido na sequência temporal do de Gramado, amplia o olhar da festa anual, transformando em perene artistas e produções. Um museu que conta os bastidores da produção cinematográfica que mais alcance tem no mundo da indústria criativa que é o audiovisual. Nesta Semana dos Museus, fica a provocação: que tal homenagear criando? Reverenciando, sim, os templos da memória que já existem, mas também abrindo espaço para novas narrativas, novos acervos, novos públicos. Museu é futuro com memória. E o futuro precisa urgentemente ser exposto.