Marcos Santuario

Relatos imperdíveis

Volta aos cinemas o potente argentino 'Relatos Selvagens'
Volta aos cinemas o potente argentino 'Relatos Selvagens' Foto : Warner Bros / Divulgação / CP

Que o cinema argentino tem criado obras cinematográficas de tirar o fôlego, já sabemos. A novidade ainda mais positiva é o retorno de uma destas produções que traz consigo uma mescla de talento de criação, execução e atuação, produzindo um envolvimento inevitável com sua narrativa.

Trata-se da volta aos cinemas de um dos filmes de maior êxito, no que se refere ao público e à crítica, “Relatos Selvagens”. Lançado em outubro de 2014 no Brasil e estrelado pelo astro Ricardo Darin, o longa reúne seis histórias de vingança vividas por personagens que são confrontados com situações que os deixam à beira de perder o controle.

As identificações de quem está frente às telas se dá de forma natural, imediata e em grande número. Por esta capacidade e mais, a produção argentina foi indicada ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2014, e poderá ser vista na tela grande, nas salas que a estarão reexibindo, até dia 4 de dezembro.

Dez anos depois de sua estreia, com produção de Pedro Almodóvar e direção de Damián Szifron, o filme, além de Darin, conta com as potentes presenças de Oscar Martínez, Leonardo Sbaraglia, Darío Grandinetti, Rita Cortese, Erica Rivas e Julieta Zylberberg. Além da construção visual elogiável, “Relatos Selvagens” reúne tragédia, amor, decepção, passado e a violência do cotidiano. Simples e direto. Genial e criativo. Paradoxo que a coloca no nível altíssimo das produções que devem ser vistas por quem aprecia a arte do cinema.

Personagens sólidos, criados e conduzidos com maestria para o lugar real e tangível da perda do controle. Estão sempre no fio da navalha, a um passo de abandonar a civilidade e abraçar a brutalidade aparentemente reconfortante.

Outra delícia da obra é a presença do talento indiscutível da trilha sonora de Gustavo Santaolalla, que já compôs criando climas geniais para “Amores Brutos”, “Diários de Motocicleta” e “Babel”.

Até mesmo por pura curiosidade vale ver a obra. Assim se poderá ter respostas concretas dos motivos pelos quais o filme foi um dos recordistas em tempo de cartaz em várias salas de cinema brasileiras.