Uma das ótimas opções de novidade no streaming vem da Argentina. Conhecidos e reconhecidos por roteiros inteligentes e atuações envolventes, os “hermanos” nos brindam novamente com outra pérola. Se trata de “Goyo ”, filme que traz no elenco a talentosa Soledad Villamil, atriz, cantora e ex-colega de curadoria no Festival de Cinema de Gramado. Soledad vive o papel de irmã pianista famosa de um homem com Síndrome de Asperger, um estado do espectro autista, interpretado por Nicolás Furtado. Ele também é muito próximo de seu outro meio irmão Matute, que ganha vida com o ator Pablo Rago, um empreendedor de sucesso, dono de restaurante. O olhar para a maternidade surge tangenciado mas sem perder força na atuação de uma Cecília Roth intensa mas na medida certa que a personagem pede. A trama do longa gira em torno das questões diárias e as diversas emoções que permeiam a vida do irmão Goyo, que trabalha como guia em espanhol de um museu em Buenos Aires.
Para ir mais fundo, seu envolvimento emocional com uma colega de trabalho, na pele da atriz Nancy Dupláa, coloca em cena as diferenças e as buscas dos personagens, cada um em seu contexto e em sua condição pessoal. Sem vitimizar nem glamorizar nenhuma delas. Na medida certa, a obra acerta ao trazer à luz elementos tão fundamentais neste universo de diversidade e necessidade de empatia. Com leveza apresenta aparentes dificuldades do personagem principal e sua inserção desejada no contexto social e produtivo. A intensidade de uma vivência sincera, que se manifesta, sem filtros, nas relações e na forma de ver a vida. Além disso, a arte a cultura também estão presentes no contexto do museu em que a trama é vivida em grande parte do filme. A Netflix acerta novamente ao reunir um elenco potente para tratar de um tema tão atual e de forma tão deliciosa. E de começar a ver e não parar. Tentando entender mais as questões que ali se estabelecem e onde estamos em relação a este universo.
