Marcos Santuario

Tem Oscar pop no samba

A família do filme que reúne olhares no Oscar, no Carnaval e no pop
A família do filme que reúne olhares no Oscar, no Carnaval e no pop Foto : Alile Dara Onawale / Divulgação / CP

Em 2025, o Carnaval no Brasil surge, como sempre, sendo um momento de celebração intensa e coletiva, mas também de reflexão e valorização da rica diversidade cultural do país. O elemento novo é como o cinema brasileiro se tornou agora pop e invadiu o samba. Gente que não falava de cinema está falando. Até quem não entende muito opina. E tudo bem. Importante é que, com o filme “Ainda Estou Aqui” conquistando destaque internacional em importantes categorias no cenário do cinema mundial, do Festival de Veneza ao Oscar, quem ganha é o audiovisual brasileiro. A participação deste filme na festa de Hollywood é mais do que uma vitória para o cinema nacional, é um marco na interação entre dois universos culturais profundos: o universo popular brasileiro e a sétima arte.

O Carnaval, evento que explode em cores, sons e ritmos, representa um Brasil vibrante e plural, é também um momento de questionamento, em que questões sociais e históricas emergem com força, como se o próprio país, em sua busca por identidade, se encontrasse na celebração das ruas. É nesse contexto que o “Ainda Estou Aqui” se insere, trazendo à tona, de maneira sensível, aspectos da experiência humana e da luta por pertencimento e reconhecimento.

A união entre o Carnaval e o cinema em 2025 sugere que a arte popular e a arte cinematográfica, embora com trajetórias distintas, podem dialogar de forma rica e profunda. O filme de Walter Salles, ao conquistar os holofotes internacionais, é um reflexo da força do cinema brasileiro em representar temas universais, ao mesmo tempo em que abraça as particularidades culturais do Brasil. Esse encontro entre os dois mundos – o da celebração de massa e o do olhar artístico global – sublinha a capacidade do Brasil de se afirmar no cenário mundial. E que bom ouvir todos falarem, especialistas ou não.