Marcos Santuario

Um zelador à brasileira

Adaptação de fenômeno de audiência argentino aposta em versão brasileira com Matheus Nachtergaele e Gregório Duvivier

Guillermo Francella, vivendo o zelador cheio de truques no original argentino, foi homenageado nos Prêmios Platino 2026
Guillermo Francella, vivendo o zelador cheio de truques no original argentino, foi homenageado nos Prêmios Platino 2026 Foto : Marcos Santuario / Especial / CP

Poucas estratégias têm se mostrado tão eficientes para a indústria audiovisual quanto observar histórias que conquistaram o público em um país e reinventá-las para novas realidades. Do streaming ao cinema, dos seriados aos longas-metragens, adaptações nacionais de sucessos internacionais deixaram de ser apenas uma aposta comercial para se transformar em uma forma de dialogar com diferentes culturas sem abrir mão de narrativas que já provaram sua força.

É exatamente esse movimento que leva agora às telas brasileiras “O Zelador”, adaptação para o cinema da série argentina “Meu Querido Zelador”, fenômeno de audiência no Disney+ em diversos países da América Latina.

O sucesso da produção original não aconteceu por acaso. A série transformou a figura aparentemente invisível do zelador em um personagem fascinante, capaz de conhecer, e manipular, os segredos de um condomínio inteiro e, até, momentos importantes do país. Grande responsável por esse impacto foi Guillermo Francella, cuja interpretação lhe rendeu reconhecimento internacional e consolidou ainda mais sua trajetória. Estive com ele quando recebeu, recentemente, homenagem nos Prêmios Platino, reconhecimento reservado aos grandes nomes do audiovisual ibero-americano. Naquele momento foi possível constatar: ele se mostra radiante e humilde ao mesmo tempo.

Agora, o desafio de transportar essa essência para um contexto profundamente brasileiro acertou já na escolha do elenco. Matheus Nachtergaele assume o papel de Eliseu, personagem que promete reunir humor, fragilidade e uma inquietante capacidade de manipular quem vive ao seu redor.

Do outro lado está Gregório Duvivier como o síndico disposto a transformar um prédio tradicional em símbolo da modernidade, instaurando uma disputa que extrapola as assembleias de condomínio para discutir pertencimento, poder e as transformações das grandes cidades.

Ao redor da dupla, há outros nomes potentes mas, mais do que repetir um sucesso, “O Zelador” aposta na capacidade de transformar uma história universal em um retrato muito particular do Brasil