Ainda com os ares do rock em seu dia comemorado recentemente, vale mergulhar na vida de um dos nomes fundamentais do gênero no Brasil. “Garota Fenomenal” é o livro da Editora Noir que apresenta vida e obra da primeira estrela do rock nacional, Celly Campello. São 500 páginas, que ajudam a resgatar a cantora de mega-hits como “Estúpido Cupido”, “Banho de LUa” e “Broto Legal”.
Não é difícil entender que se trata de uma obra reveladora, com uma ampla pesquisa sobre o nascimento do rock no Brasil, com foco na sua primeira estrela. Mais do que a principal divulgadora do ritmo, Celly criou o segmento para jovens no mercado de discos, no mesmo momento em que João Gilberto revolucionava a música com a bossa nova.
Nos anos entre 1959 e 1962 eram os dois nomes que marcavam o imaginário musical do país. Nas páginas da obra a gente também acaba sabendo detalhes de quando ela larga tudo para se casar aos 19 anos, depois de lançar cinco álbuns em apenas três anos. Sua morte, em 2003, com 60 anos, impactou também tanto fãs quanto estudiosos da música. Sua partida só se deu depois de viver uma vida intensa de idas e vindas e de consagração, marcada por pressões e o desafio de sustentar sua decisão, em meio a críticas de feministas e moralistas.
Em meio às revelações, o livro traz ainda um precioso relato sobre a chegada do rock no Brasil. Os autores revelam, com conhecimento temático, como cantores e grupos negros tentaram introduzir o ritmo no Brasil. Em uma das principais passagens da obra, ficamos sabendo como Celly recusou um convite da Record para apresentar o programa Jovem Guarda, que poderia ter mudado os rumos da carreira de Roberto Carlos, então um cantor pouco conhecido.
A obra, escrita por Gonçalo Junior e Dimas Oliveira Jr., é resultado de seis anos de extensa pesquisa e muitas entrevistas. Eles conseguem levar o leitor para além da estória de como uma menina adolescente virou a música brasileira “de pernas para o ar”. Uma vida dramática. Estória vivida.
