O cinema brasileiro atravessa fronteiras e vai à Colômbia, em encontros especialmente potentes. Em Cartagena e Medellín, duas cidades onde a arte pulsa entre o mar e as montanhas, o Brasil não apenas marca presença mas ressoa, emoção e conquista.
“Feito Pipa” é o exemplo mais vibrante desse momento. O filme de Allan Deberton, já aplaudido no Festival de Berlim, abriu o Festival Internacional de Cinema de Cartagena, mostrando sua sensibilidade ao público latino-americano e a capacidade de estabelecer diálogo imediato, íntimo, com quem assiste. A premiação de Yuri Gomes como Melhor Interpretação não é apenas um reconhecimento individual. É uma confirmação de que as novas vozes brasileiras estão prontas para ocupar o centro da cena global.
A trajetória da longa impressão. Da consagração na Berlinale ao calor das exibições nos bairros de Cartagena, o filme demonstra que o cinema brasileiro contemporâneo entende tanto de linguagem quanto de território. Ele se comunica com júris internacionais e, ao mesmo tempo, com platéias populares uma combinação rara e poderosa.
Esse movimento ganha ainda mais força com a expressiva presença do Brasil no Alternativa Film Festival, em Medellín. Cinco produções finalistas revelam um país plural, que experimenta formatos, narrativas e olhares. Do longa “A Natureza das Coisas Invisíveis”, exibido no Festival de Gramado, aos curtas que exploram medo, identidade, memória e pertencimento, o que se vê é um mosaico criativo que ultrapassa estereótipos e reafirma o cinema como ferramenta de impacto social.
Há algo simbólico nessa conexão Brasil-Colômbia. Dois países diversos, atravessados por contradições e beleza, que encontram no audiovisual uma forma de se considerar e se reinventar. Mais do que prêmios e preferências, o que está em jogo é a capacidade de nossas histórias viajarem, tocarem outras realidades e voltarem transformadas.
