Havia um tempo em que os filmes exibidos no Festival de Cinema de Gramado demoravam muito tempo para chegar às telas. Isso quando chegavam. É que, vários deles não conseguiam telas para suas exibições. Morriam nas gavetas de produtores entristecidos, em meio à decepção de equipes completas que trabalharam muito para que suas obras fossem vistas pelo público. Não produziam o desejado diálogo com o universo do audiovisual, incapazes de seduzir distribuidores e exibidores a apostar na conquista de público para tais filmes.
A partir da edição 40 do Festival, quando assumimos a curadoria, Rubens Ewald Filho, José Wilker e eu, colocamos em prática uma ideia que, até hoje, rege escolhas e definições de curadoria. Os filmes vêm para "nascer" em Gramado, e não para "morrer" após exibição no Festival. Esta ideia já foi até incorporada por realizadores e realizadoras do cinema nacional e por outras instâncias do audiovisual brasileiro. O resultado é a escolha real destes criativos de ter Gramado como sua primeira tela nacional. Esta também foi uma ideia que começamos a levar em conta a partir de 2012. E o resultado destas decisões parece comprovar o acerto de tratar de elevar a festa do cinema na serra gaúcha aos patamares dos grandes festivais de cinema do mundo, lugar do qual nunca deveria ter saído.
E o diálogo com público e mercado tornou-se fácil de comprovar, sem deixar de primar pelo rigor cinematográfico aguardo pela crítica. Basta ir aos cinemas nas próximas semanas e ver "Motel Destino", de Karim Ainouz, o provocativo "Cidade Campo", de Juliana Rojas, e "Estômago 2", de Marcos Jorge. E outros mais que estão por chegar, como “O Clube das Mulheres de Negócios”, de Anna Muylaert; “Oeste Outra Vez”, considerado o melhor filme deste ano em Gramado, dirigido por Érico Rassi; “Passargada”, da estreante Dira Paes; e “Barba Ensopada de Sangue”, de Aly Muritiba.
sso em se tratando das ficções brasileiras em longa-metragem. Além destes todos ainda é possível assistir ao intenso “ Mais Pesado é o Céu”, de Petrus Cariry, competidor do ano passado em Gramado, e que segue em cartaz em cinemas gaúchos, em sintonia com salas do país. E esta será uma realidade cada vez mais presente no por festival. Primeiro com os filmes em competição ganhando as telas dos cinemas. Depois, invadindo o streaming e ganhando o mundo.
