Rogério Mendelski

A Fontana di Trevi tupiniquim

Em Brasília não se sabe de qualquer lenda ou magia que possa trazer sorte para quem atira moedas nos “laguinhos” do Planalto e da Alvorada, mas o governo acredita que pode fazer receita recolhendo-as aos cofres federais

O governo Lula determinou o recolhimento das moedas lançadas nos espelhos d’água localizados em frente ao Palácio da Alvorada e ao Palácio do Planalto. O montante recolhido vai para o Tesouro Nacional. O Brasil vai mal de finanças, mas será que chegamos ao fundo do poço para fazer o que estamos fazendo? Na mais famosa fonte do mundo, a Fontana di Trevi, em Roma, os turistas jogam suas moedas porque diz a lenda que quem as atira voltará à capital italiana. Em Brasília não se sabe de qualquer lenda ou magia que possa trazer sorte para quem atira moedas nos “laguinhos” do Planalto e da Alvorada, mas o governo acredita que pode fazer receita recolhendo-as aos cofres federais. Pelo tom oficial dado ao ato, um decreto da Casa Civil, o recolhimento será semestral. Em Roma, pelos cálculos oficiais, são jogados, anualmente, 1,5 milhão de euros, ou algo em torno de R$ 10 milhões. A última arrecadação dos nossos espelhos d’água foi determinada pela então primeira-dama, Michele Bolsonaro, em 2022, e foi arrecadada a “merreca” de apenas R$ 2.213,00 – ou 345 euros, cotação oficial desta segunda-feira. O montante recolhido foi entregue para a instituição Vila do Pequenino Jesus, de Brasília, que cuida de pessoas com deficiência. Por que a atual primeira-dama, Janja da Silva, não faz o mesmo que Michele? Seria mais edificante do que mandar as moedas para o Tesouro Nacional. Mas cá entre nós: cada país tem a Fontana di Trevi que merece.

Briga no PL

No Partido Liberal já existe uma briga interna pela indicação do possível candidato ao Palácio Piratini. As cabeças coroadas do PL estão mexendo com os “pauzinhos” para suas respectivas candidaturas.

Quem são

Dois nomes vão participar da disputa no PL: Onix Lorenzoni e o deputado federal Luciano Zucco. Onix perdeu a pole position para Zucco, que teria a preferência de Jair Bolsonaro. Restaria, então, para Onix, disputar uma das duas vagas para o Senado.

Está na fila

Só que o deputado federal Giovanni Cherini também sonha em disputar uma das vagas para o Senado e, provavelmente, a Convenção Estadual de 2026 irá definir os preferidos da militância.

O controle do partido

Detalhe: para vencer as indicações (Piratini e Senado) será necessário ter o controle rígido do Diretório Estadual. Mas é aí que entra o fator desequilíbrio se Bolsonaro revelar suas preferências. O ano de 2026 parece ainda estar longe, mas está mais perto do que imaginamos.

Celulares nas prisões

Duas fortes manifestações foram registradas na semana passada sobre a retirada do regime de urgência do projeto de lei 364/24, do governo estadual, o qual autorizava o fim das tomadas de energia nas celas das cadeias gaúchas.

Gargalo criminoso

A primeira manifestação contra a retirada da urgência foi da deputada Delegada Nadine (PSDB), que, como ex-chefe da Polícia Civil, sabe que o “maior gargalo da criminalidade gaúcha” continua sendo o sistema prisional cujo controle está com os presos e a utilização de celulares.

Proposta copiada

Outro deputado que se manifestou por ser policial de carreira, o Delegado Zucco (Republicanos), afirmou que o projeto de lei 364/24, do Poder Executivo, foi uma cópia de sua proposta.

Medo de represália?

Para o deputado Delegado Zucco, o governo retirou a urgência do projeto “por medo de represálias do crime organizado, deixando claro que a firmeza na condução da segurança pública cedeu lugar ao medo das facções”. E aí, Palácio Piratini, é vero?