Rogério Mendelski

A luta pelo alimento barato

A simples ameaça da redução de comida na mesa do brasileiro mais pobre já provoca desentendimentos na casa oficial do Brasil, o Palácio do Planalto.

Ainda não chegamos ao dilema de “em casa onde falta pão, todos brigam e ninguém tem razão”, mas a simples ameaça da redução de comida na mesa do brasileiro mais pobre já provoca desentendimentos na casa oficial do Brasil, o Palácio do Planalto. O presidente Lula começa a ficar inquieto com o preço dos alimentos, mesmo que ele não seja cliente de supermercado e nem tenha conhecimento do preço do arroz, do feijão, do café, do óleo de soja e, é claro, do quilo da picanha. Lula tem conversado com preocupação com o ministro Fernando Haddad em busca de uma saída para a inflação dos alimentos e tem sido o mais objetivo possível: não quer explicações nem promessas em economês. Quer comida barata nas gôndolas porque ninguém melhor do que ele sabe as consequências eleitorais quando o povo começa a se queixar da carestia. Já se fala no Planalto até em subsídio direto para os alimentos ou importá-los o que, em tese, poderia reduzir preços, mas qualquer ação governamental que exija dinheiro público seria pouco prudente num momento de câmbio desfavorável e saldo da balança comercial muito fragilizado. Comida escassa na mesa do trabalhador não é um problema que pode ser empurrado com a barriga, pelo contrário, exige solução de curto prazo, algo que Lula tem dificuldade em realizá-lo. E sem um bife para fritar como refeição, frita-se, em fogo lento, Fernando Haddad. Como Lula não sabe cozinhar, o óleo da fritura poderá ser levado ao fogo por Rui Costa, o ministro que entende de fogo amigo, como qualquer político experiente.

A briga dos Paulos

Tem uma disputa silenciosa entre o deputado federal Paulo Pimenta e Paulo Teixeira, titular do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). O MST não anda de boas relações com Teixeira e Pimenta tem prestigio com os sem-terra. Na anunciada reforma ministerial de Lula, Teixeira poderia deixar o ministério para Paulo Pimenta.

MST inquieto

Os sem-terra não estão satisfeitos com o ministro Paulo Teixeira pelos poucos assentamentos no atual governo. No entanto, se Teixeira deixar o MDA, um terceiro nome surge na área: Edegar Pretto, atual titular da Conab. Pretto, como se sabe, é filho de um dos fundadores do MST, o falecido deputado federal Adão Pretto. O que cacifa seu filho, Edegar, pois ninguém é mais sem-terra raiz do que ele.

Cocaína já era

Quem acha que a cocaína é a principal fonte de faturamento do crime organizado está desinformado. A cocaína movimenta apenas 10 por cento das receitas da organização.

A contabilidade do crime

O comércio ilegal de combustível, bebidas, ouro e cigarros em 2022 rendeu R$ 147 bilhões ao crime organizado, dez vezes mais que receita obtida com a venda de cocaína, revela relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Corrupção atestada

O Brasil como a décima economia do mundo não está nada bem no ranking dos países corruptos, conforme a ONG Transparência Internacional. A classificação dos países infestados pela corrupção é na ordem decrescente. Já estivemos na 69ª posição e agora caímos para o lugar 107°, numa avaliação de 180 nações.

O reitor injustiçado (1)

Depois de sete anos do suicídio traumático do reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o professor Luís Carlos Cancellier, o Ministério Público Federal concluiu que não havia provas de corrupção contra o reitor e seus colegas Márcio Santos e Sônia de Souza Cruz.

O reitor injustiçado (2)

O professor Cancellier, mesmo com provas frágeis e jamais comprovadas contra ele, por ser um homem de bem e conceituado no mundo acadêmico, não suportou a sua condenação prévia na mídia. Homem honrado e com vergonha na cara jogou-se do alto do shopping Beira Mar, em Florianópolis.