Rogério Mendelski

Barroso e o seu STF

Definiu os “mais de 40 editoriais” dedicados ao STF e ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) como “duramente críticos, com muitos adjetivos e tom raivoso”.

O presidente do STF, Luís Roberto Barroso, num artigo-resposta ao jornal “O Estado de S. Paulo”, na última segunda-feira, fez a defesa da sua instituição num estilo queixoso pela maneira como o jornalão paulista vem tratando a nossa Corte Suprema. Definiu os “mais de 40 editoriais” dedicados ao STF e ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) como “duramente críticos, com muitos adjetivos e tom raivoso”. Para Barroso, o Brasil é o país que “ostenta o maior grau de judicialização do mundo, o que revela a confiança que a população tem na Justiça, pois do contrário não recorreria a ela”. Data vênia, há discordâncias nessa judicialização. Tanta procura pelos tribunais por parte dos brasileiros pode ser apenas motivada pelo chamado “manicômio judiciário” do Brasil. Tivéssemos leis claras, objetivas e sem juridiquês, milhares de discussões judiciais seriam resolvidas na delegacia de polícia mais próxima, deixando ao Poder Judiciário tão somente questões mais delicadas. Mas o que mais me impressionou no artigo do ministro Luís Roberto Barroso foi a citação de Rosa (de) Luxemburgo, uma comunista dos quatro costados, a respeito da liberdade de expressão. Nada mais falso para um comunista falar de algo tão nobre em cujo regime a primeira vítima é exatamente a liberdade de expressão. Rosa (de) Luxemburgo opinando sobre liberdade de expressão vale tanto quanto uma nota de três reais. Eu espero, sinceramente, que o nosso STF nunca se inspire no conceito da senhora Luxemburgo para julgar casos de liberdade de expressão. Prefiro ficar com a definição de George Washington, o primeiro presidente dos Estados Unidos: “Quando a liberdade de expressão nos é tirada, logo poderemos ser levados, como ovelhas, mudos e silenciosos, para o abate.”

Mais uma frase

“Quando não há, entre os homens, liberdade de pensamento, não há liberdade”. Voltaire.

O caso PIX

O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) até mesmo na avaliação do Palácio Planalto foi o vencedor do Caso Pix. Ao revogar o monitoramento do Pix, o governo sentiu a pressão inimaginável das redes sociais e decidiu não brigar com elas.

Desforra de Romário

O senador Romário (PL-RJ) ainda não perdoou Bolsonaro por ter apoiado em 2022 o deputado federal Daniel Silveira (PTB) ao Senado. Romário concorria à reeleição, situação que terminou com a sua reeleição. Em 2024, Romário se vingou. Não apoiou o candidato de Bolsonaro à prefeitura do Rio de Janeiro, dando um “carrinho” em Alexandre Ramagem e declarando seu voto para Eduardo Paes (PSD), o eleito.

Nikolas derrotou o governo

No placar do povão que faz 250 milhões de movimentação diária no Pix, Nikolas Ferreira mostrou que uma medida impopular pode ser neutralizada se houver uma mobilização nacional pelas redes sociais.

Poderá deixar o PL

Agora, o senador Romário vem sendo assediado para sair do PL e assinar ficha no PSD, partido de Eduardo Paes. O PP também sonha em ter Romário e já tenta levar junto o atual governador do RJ, Cláudio Castro, atualmente no PL. Na verdade, PSD e PP querem minar a base eleitoral de Bolsonaro que é muito forte no Rio de Janeiro. Tudo de olho em 2026.

Dificuldades

O novo titular da Secom, Sidônio Palmeira, quer melhorar a imagem do governo e acabar com as fake News. Sua meta é mostrar os feitos de diversos ministérios, mas é aí que mora o perigo. No mínimo metade dos atuais ministérios não tem nada para mostrar. Lula aposta no talento indiscutível de Sidônio, um marqueteiro competente, mas ele não é milagreiro.

Governadores inconsoláveis

Os governadores do RS, MG e RJ estão inconsoláveis com a proposta de pagamento de suas dívidas sancionada por Lula. Todos se queixam e o governador do Rio, Cláudio Castro, disse que o federalismo brasileiro foi golpeado pelas costas. Já no Palácio do Planalto há uma unanimidade: os governadores querem mesmo é o perdão de suas contas abertas com a União.