Rogério Mendelski

Essa gente não tem vergonha?

Cinco ex-governadores e atualmente ocupando ministérios do atual governo indicaram suas esposas para o cargo de conselheiras dos Tribunais de Contas de seus respectivos estados.

Entrego aos leitores desta coluna um texto que se completa sem opinião porque os fatos se sobrepõem a qualquer tipo de comentário ou crítica. Cinco ex-governadores e atualmente ocupando ministérios do atual governo indicaram suas esposas para o cargo de conselheiras dos Tribunais de Contas de seus respectivos estados. Onélia Santana, casada com o ex-governador do Ceará, Camilo Santana (PT), ministro da Educação, teve seu nome formalizado na Assembleia Legislativa com a concordância de 40 dos 46 deputados. Rejane Dias, esposa do ex-governador Wellington Dias (PT) do Piauí, ministro do Desenvolvimento Social, ganhou o cargo em janeiro de 2023. Marília Góes, esposa do ex-governador do Amapá, Waldez Góes (PDT), ministro do Desenvolvimento Regional, foi indicada em fevereiro de 2022, quando Góes ainda era governador. A escolha foi contestada sob acusação de nepotismo na Justiça local, mas a decisão foi revertida. Renata Calheiros garantiu a sua vaga no TCE de Alagoas por ser esposa do ex-governador, Renan Calheiros Filho (MDB), ministro dos Transportes. Após a indicação, seu nome foi aprovado no dia seguinte. E, finalmente, a sorte veio para Aline Peixoto, esposa do ex-governador da Bahia, Rui Costa (PT), ministro-chefe da Casa Civil. Não foi fácil a aprovação de Aline, pois havia muita oposição mesmo dentro do PT. O salário das ex-primeiras-damas é de R$ 39.717,69, o tal de teto para servidores públicos. E fica uma única dúvida: essa gente não tem vergonha de dar uma bela mesada para suas patroas, por conta dos contribuintes de seus estados?

Azedou o leite (1)

Depois de sete anos na moita, fraudadores do leite que bebemos reativaram suas alquimias para um novo mix de produtos que adulteram a sagrada bebida matinal. Agora foi uma ação do Ministério Público gaúcho contra a Dielat, de Taquara.

Azedou o leite (2)

Na Dielat, o leite que chegava com baixa qualidade ou mal conservado era “batizado” com soda cáustica e água oxigenada. O MPRS também encontrou “pelos indefinidos” e pontos de sujeita dentro das embalagens.

O alquimista

A informação divulgada pelo promotor de Justiça Mauro Rockenbach, da Promotoria de Justiça Especializada Criminal, aponta o engenheiro químico Sérgio Alberto Seewald como o “alquimista e mestre do leite” que equalizou uma “fórmula exata da quantidade de soda cáustica” para ser adicionada ao leite, “dificultando a detecção da fraude”.

A fórmula

Outro promotor, Alcides Luz Bastos da Silva Filho, da Defesa do Consumidor, esclareceu que a soda cáustica é usada para ajustar o PH do leite e diminuir a sua acidez. A substância volatiza ou desaparece rapidamente.

Exemplo chinês

A Justiça chinesa condenou à morte três acusados por comandar o esquema de adulteração de leite que causou a morte de ao menos seis crianças e afetou mais de 300 mil pessoas. Oito pessoas foram consideradas culpadas nesta quinta-feira (22) por acrescentar ao leite a substância melamina. Dos oito acusados, além dos três condenados à morte, dois pegaram prisão perpétua e os outros três receberam penas de 5 a 15 anos de prisão. As condenações foram divulgadas em janeiro de 2009.

A defesa dos acusados

O advogado da Dielat, Caio Vitor Maia, disse que ainda não teve acesso aos documentos necessários para entender o caso e as acusações. Já o advogado Nicholas Horn que defende o engenheiro químico Sérgio Alberto Seewald, informou que seu cliente não possui relação formal ou informal com a Dielat e que se trata de uma “criação de fatos por parte do MPRS”. A coluna está à disposição da defesa de todos os suspeitos.

Para surfistas

Os jovens surfistas usam parafina para deixar seus cabelos dourados, mas há entre eles uma preferência por leite adulterado porque água oxigenada tem o mesmo efeito estético. Só pode ser uma brincadeira dessa alegre e divertida jeunesse dorée.